quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Reflexões


Reflexões após a leitura de Eleanor & Park - Rainbow Rowell

Quando sinto sua falta, sei que a saudade não é de você, e sim do mais puro e singelo sentimento da primeira paixão.
O primeiro amor é forte e arrebatador, só de olhar os olhos do enamorado, sente-se um furacão invadir o peito ao mesmo tempo que sente os pés flutuando nas nuvens, enquanto borboletas voam em seu estômago. 
A passagem da infância para a vida adulta, o sabor agridoce é inesquecível. 
Os dias, meses, anos se passam e a cada momento esqueço um detalhe seu, o tempo passa e seu rosto se torna apenas um borrão na minha mente. Os momentos em que eu acreditava ser inesquecíveis, hoje parecem vividos por outra pessoa, em outra vida. 
A música é a maior conexão que tenho para resgatar frangalhos no interior da minha mente em busca de recordações nostálgicas dessa fase. 
A maior definição do primeiro amor, é a velha frase "que seja eterno enquanto dure".
Tudo é tão emocionante, cada despir de vestuário, descoberta de epitélio, é uma aventura cheia de adrenalina e descoberta do seu e do outro ser.
Você conhece as maravilhas da sexualidade, e também da supressão de carência que somente um relacionamento pode proporcionar, junto aos benefícios e malefícios da convivência a dois. 
Quando o encanto acaba e se amadurece, os malefícios se sobrepõem e a ingenuidade se dissipa. 
Incansavelmente corremos atrás desse sentimento, porém só temos o privilégio de o sentir uma vez na vida. Quando a inocência se quebra, não há como retornar a essas descobertas, somente nascendo novamente.
Aproveite cada fase de sua vida, e o que ela pode proporcionar, pois ela é única.  Não perca momentos do presente tentando comparar ao passado.

A vida é efêmera.

E eu prefiro ser essa metamorfose ambulante.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O tempo passou rapido...


Eu sei que a vida é difícil e nós crescemos rápido. Ontem eu estava fazendo um piquinique com minhas bonecas e você estava correndo pela casa. Hoje o futuro nos puxa com uma força excessiva, como uma forte corrente de ar nos levando pr’outro lado da vida. Eu sei que assusta e que surpreende. Eu vejo nos seus olhinhos cor-de-mel as dúvidas e vejo suas longas sobrancelhas escuras se curvando pensando em soluções, vejo sua boca ligeiramente inchada no lábio inferior falando com os adultos, falando com as pessoas desconhecidas, pessoas d’outro mundo, d’outro lado da vida que quando você corria pequeno pela sua casa ou se pendurava no armário nem imaginava que teria que falar com elas, nem imaginava que precisaria de alguém alem dos seus pais para conseguir algo na vida. O tempo está correndo e você não pode mais passar as tardes admirando o John Lennon, nem passar o dia decifrando as letras do Renato Russo. O tempo correu e você não é mais aquele garotinho admirando o violão do irmão. Hoje você toca Rock 'N Roll e Blues, canta músicas que nunca imaginou que conseguiria memorizar. Hoje você bate rápido nas cordas do violão fazendo música, não é mais o garotinho fazendo apenas fazendo som no violão, escondido.
Eu sei que a vida está assustadora e as pessoas estranhas, eu sei que você está assustado mas eu sei que você é um rapaz corajoso. Deposito em ti uma confiança que nunca depositei em alguém a não ser em mim. Confio que conseguirá passar por tudo que te assusta. Além de todo este medo que vejo no seu rosto de menino com estes pelos de homem salpicados pelas bochechas, eu vejo no invisível, dentro da sua pele, músculos, ossos e órgãos, dentro de você consigo ver uma coragem enorme, e vejo determinação, vejo uma força de vontade enorme, tão grande que quase é palpável. Consigo enxergar dentro de você, quem realmente é. Sei que dizem muito de você, e te julgam pelo o que você parece e não pelo o que você é. Mas amor, lembre-se que não são todos que tem olhos no coração, e somente os olhos do coração conseguem enxergar dentro da pessoa, dentro da alma, dentro do ser. Lembre-se: quem te julga incapaz, tem olhos na face, entre o nariz. E não no coração, do lado esquerdo do peito.
Mas quem te olha pelo coração, enxerga você por trás desse sorriso aconchegante e das besteiras nas falas. Enxerga seu amor imenso, a fidelidade por quem te cerca, enxerga sua sensibilidade e enxerga um preguiçoso mestre, mas que com um empurrãozinho toma jeito, enxerga um rapaz que tenta botar um sorriso na face alheia, e prefere ficar infeliz quieto do que deixar outra pessoa triste. Um menino tão valioso e dificil de encontrar, o garoto que eu agradeço por ter.
Meu amor, sei que a vida anda difícil e que você só quer crescer mesmo assustado com o tempo, que passou tão rápido. Sei que é triste ser subestimado ou duvidarem. Mas meu menino que está virando homem, esta é a metamorfose da vida e você precisa provar para os céticos que está preparado para sair do casulo e aprender a voar com suas próprias asas. Prove para eles como provou sua força de vontade, e continue com esta determinação que eu encho a boca para elogiar. Sei que está difícil, mas você tem a mim e temos nosso amor enorme. Se for difícil aprender a voar é só segurar na minha mão que te ajudarei a bater as asas. E continuaremos de mãos dadas até podermos voarmos juntos.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Janis

 Eu tinha mudado. Deixei meus cabelos longos e cacheados, alguns dias sem pentear acabavam tendo comentarios como "Deu uma de Janis?". Eu ria. Deixava o vento passar entre eles e bagunça-los ainda mais, me deliciava com os comentarios; eu, Janis? 
Tinha mudado mesmo, passei a rir sem motivos. Ai eles diziam: "Garota, o que há?" no começo eles ficavam com uma interrogação, mas acabavam rindo comigo. Ele sempre me dissera que meu riso era embalante. E não é que é mesmo?
Ele? Ah sim... Foi numa festa chata, uma coisa meio hippie, meio natureba, no meio do mato e todos se vestiam como se viessem dos anos setenta. Eu me sentia a Janis com meus cabelos revoltos e aquela roupa larga, aquele colar enorme enfeitando desde da minha nuca até meus seios.  
Todos batiam um papo descontraído, mas eles tinham um lance cool, eu não sabia como me meter no meio daquele pessoal descolado, e ficava apenas observando, sorrindo em vão. 
Aí ele chegou. Não tinha nada de hippie nem descolado, vestia um jeans rasgado e uma camisa cheia de desenhos abstratos, não sabia o que ele fazia ali, talvez fosse fotografo, estava com uma camera na mão, ele me disse sorrindo: "Ei garota, sabia que você é a cara da Janis, sabe aquela, que cantava sobre aquele carro lá, esqueci o nome, seria uma BMW? não não..." Eu ri, e o interrompi: "Mercedes Benz" "Isso garota, você manja mesmo hein!" Eu sorri e continuei sentada, observando aquela galera cool, e ele sentou-se ao meu lado e fez o mesmo. A observação durou longos minutos até que ele disse: "Janinha, cara, me sinto um peixe fora d'agua" "E eu!" comentei, ele olhou-me penetrante e disse: "Mas, que tal sairmos daqui na minha Mercedes Benz? Seria muito louco sair com a Janis Joplin". E eu aceitei, não tinha soado como uma cantada barata ou uma insinuação, fora mesmo algo sem más intenções. "Mas... Não é uma Mercedes Benz de verdade" Ele confessou rindo, e eu ri junto e disse "Tudo bem, eu não sou a Janis Joplin de verdade".

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Odeio-te

Era seu segundo cigarro e eu já estava totalmente fora de lucidez. A forma que ele movia sua língua ao falar já incitava-me mil pensamentos de prazeres escondidos por trás dessa boca avermelhada, que era contornada por uma barba que pedia para roçar seu todo seu áspero contra minha maciez...
A forma que ele me olhava. Eu sei o que ele queria dizer, seus olhos eram mais explícitos que sua boca rítmica. A forma que me delineava com os olhos negros parecia carvão em brasa, ardendo de desejo.
Ele largou o cigarro no parapeito da sacada, e fitou-me abertamente. A luz do luar banhava-o branco, e refletia naquele traje tão formal, a luz cintilava em seu cabelo negro rebeldemente ondulado, e ele disse tão calmo quanto a noite sem estrelas que estava estampando o céu por trás dele:
-Posso saber por quê a dama de tão extrema formusura está sozinha na sacada?
Olhei-o inexpressível:
-Talvez pelo mesmo motivo que vossa senhoria esteja cuidando da vida alheia.
Ele sorriu com o canto esquerdo da boca, apenas levantando levemente, e soltou uma pequena risada -feito tosse - e tocou-me a face:
-Ora, vamos lá, eu a vi fitando-me em soslaio.
Ele disse com um certo ego, e eu apenas o encarei com um falso escárnio. Como desprezar aquele rapaz, que mais parecia homem no ato de falar, fumar, gesticular? Com aquele riso mau que me estremece entre as pernas e aquele gesticular tão atrativamente mau que mais parece devaneio.
-Será que uma dança faria a senhorita mudar seu ponto de vista sobre mim?
-Impossível, tua fala já é toda de más intenções.
Rapidamente, ele se aproximou de mim, e antes que eu percebesse, seus lábios estavam colados no meu ouvido, de ímpeto sussurrou com o hálito quente arrepiando-me delicadamente:-
-Ora, vamos. Não lhe farei mal...
*Assenti receosa, e logo, pegou-me pela cintura e colou-me no teu corpo . A pressão entre nossos corpos era tanta que podia sentir seu coração batendo forte no ritmo da música que vinha do salão de festas. Minha mão pousou na sua nuca pálida e cintilante da lua, e apenas por sentir a maciez da sua pele quente, fechei as pálpebras em deleite.
Depois de alguns passos, a música já havia parado de tocar, e éramos embalados unicamente pelo ritmo de nossos corações exaltados.
Embora ambos não admitissem, a cada passo, a cada pressão, a cada inusitado toque, nós queriamos mais e mais.
Rodopiou-me levemente pela sacada e logo roçou a barba áspera nas minhas bochechas coradas. Sorri ainda com as pálpebras em deleite , e enfiei a mão dentre seus cachos negros banhados por um branco cintilante. Logo suas mãos derraparam-se por minhas costas e pousei então meus lábios no seu queixo, e pude sentir o gosto másculo daquele áspero sedutor que a tanto tempo chamava-me para lhe sentir, lhe provar, lhe degustar, lhe devorar.
Logo, larguei-o e saí em um rodopio solitário, sorri ironica e ele correspondeu com seu riso-de-lado-esquerdo:
- Ainda odeia-me?
-Odeio-te.
Ele se aproximou de forma que eu ficasse outra sem saída a não ser seus lábios, perguntou em sussurro:
-Odeia-me?
Caminhei lentamente para trás, até colar as minhas costas contra o parapeito da sacada:
-Odeio-te.
Com os lábios á poucos centímetros do meu, eu respirava o ar quente que ele expirava, e continuou:
-Odeia-me?
Estiquei o braço sobre o parapeito e peguei o cigarro que ele havia pousado. E perguntou novamente, o mais perto possivel de mim:
-Odeia-me?
Pousei levemente meus lábios nos seus, permaneci levemente por algum tempo, e logo empurrei-o para longe de mim, e disse entre uma profunda tragada no seu próprio cigarro:
-Odeio-te.
Com certa decepção, nos encaramos por longos segundos, e ofereci seu cigarro para ele. Ele abaixou minha mão esticada, e disse seco:
-Estou tentando parar de fumar.
Aproximei-me mansa, e disse:
-Estou tentando para de te odiar.
Nos beijamos.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Saberia


A noite era escura e ainda sim conseguia encontra-lo pelo tato. Conseguia encontrar-o pelo seu cheiro, que sentia tão de longe, tão forte, tão intenso. Que me tocava leve e percorria a curva do meu quadril, e senti suas costelas tremendo, como se estivesse rindo, rindo baixo, rindo feliz. Depois enrosquei as mãos dentre seus cachos avermelhados e levemente, senti sua respiração quente junto a minha, frente á frente, estavam os lábios, tão vermelhos e sedentos, seria a primeira vez que eles se tocariam. “Eu jurava que não iria fazer isso” Repetia mentalmente para mim mesma. Mas antes que pudesse tomar alguma atitude, senti o úmido dos seus lábios contra os meus, correspondi. E então a noite nos engoliu e eu o devorei.
Acordei enrolada nos lençóis de linho branco, enquanto tocava Jobim suavemente na sala-de-estar. Recolhi-me me deleitei com o cheiro dele no travesseiro que apoiava meu rosto avermelhado, o cheiro que havia tão bem provado e que agora traz um leve -grande- arrependimento. Não posso passar da segunda taça de vinho que caio em tentação. Mas justo com ele? Com meu melhor amigo? Não poderia imaginar como seria desde então, desde que trocamos nossas salivas, a fidelidade e confiança da nossa amizade estaria sob risco, tão maleável. 
Vesti-me e caminhei silenciosamente até a cozinha, onde pude ver sua silhueta e seu olhar em soslaio para mim, depois virou-se e esticou as mãos, segurando uma tigela amarelada: 
-Seu café-da-manhã. -Ele disse calmo, tão calmo quanto os dias que ia dormir em sua casa. Ficávamos até de madrugada conversando sobre os meus namorados e pedia conselhos amorosos para ele, depois caía em prantos ao lembrar-me dos que me fizeram sofrer, e dormia com os olhos úmidos no seu ombro. 
-Meu cereal preferido. -Sorri satisfeita, um pouco envergonhada. Outrora haviamos trocado tanto amor, e agora apenas palavras vazias.
-Te conheço desde sempre, lembra-se? -Ele disse com um quê de lógica.
-Se me conhecesse tanto, saberia. -Disse baixo, mas realista.
-O que?
-Nada, estava apenas pensando alto. 
-Diga, saberia o que? -Ele fitou-me insistente.
-Nada. - Disse encarando a tigela.
Ele atravessou a cozinha, e sem que eu percebesse, segurou meus braços e virou-me de forma que eu o olhasse em seus olhos:
-Diga. -Ele disse calmo.
-Esta noite foi muito estranha, esse café-da-manha está estranho, tudo está sendo estranho, ontem a noite estávamos rolando juntos e hoje você simplesmente me dá meu cereal preferido sem nenhum problema e conversa comigo como se ontem a noite eu viesse vindo ver A Bela e a Fera com você, e tivesse caído no sono, somente isso. E é estranho, não aconteceu isso, e era o certo ao acontecer. Estou um pouco confusa, aliás, completamente confusa. Que diabos está acontecendo? Não que eu queira que você me mime como se fossemos namorados, mas é estranho, não era para ter acontecido. Não quero que nada mude entre nós, eu te conheço á tanto tempo e…
-Não - ele interrompeu- Você não me conhece tão bem como diz. Se conhecesse, saberia.
-Saberia o que? 
Ele fitou-me derrotado, e disse em forma de suspiro: 
- Que eu te amo. 
Em seguida, senti aquela maciez úmida novamente contra meus lábios, e coloquei meus braços envolta do seu pescoço, sussurrei vencida: “Saberia que eu te amo”.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Leitura dos olhos.





Quando ela segura a taça de vinho sorrindo á toa, e olha involuntariamente para mim, vejo algo a mais naqueles olhos escuros. Aqueles olhos tão fundos e misteriosos, como aquela parte do oceano onde afundou o Titanic. Quantos segredos aqueles fundo oceano negro guarda? 
E é involuntariamente que vejo seus olhos gritando o que sua boca -sempre cor de vinho tinto- nunca tem coragem de dizer, mas aquele seu pequeno coração sempre grita para seu interior. Grita alto, profundo, grita até a garganta sangrar, mas mesmo assim, sua boca nunca consegue pronunciar. 
Mas aqueles olhos negros diz claramente o que quer. Quando aqueles olhos sempre me olhando em soslaio se cruza com meu curioso olhar, vejo uma umidade tornando aquele oceano negro um verdadeiro oceano.
Ela diz coisas engraçadas, como se fosse a maior piadista da cidade. Dança nos bares e chama todos os rapazes para lhe acompanhar numa dança agitada, ou lenta. Enfim, nem imaginam que ao inves de se jogar na pista de dança, ela se joga no sofá, afunda sua face numa das camisetas que eu deixei em sua casa, e relembra -amargamente- o meu cheiro - que ela sempre gostara, e sentia saudades-. 
Quem a vê sempre cozinhando para suas visitas, massas, doces, salgados, sempre com o avental sujo e um sorriso esboçado no rosto, nem imagina que seu jantar é enlatados e sempre encomendados. Quem a vê sempre descobrindo e desenvolvendo novas receitas, nem imagina nossos sabados á noite. Jantares trazidos por motoristas e produzidos após uma ligação. Não perdíamos tempo cozinhando, usamos esse tempo pra nos degustar, nos devorar. A cozinha ficava em segundo plano (ou como cenário, dependendo da situação).
Quem a vê sempre sorrindo com sua boca cor de vinho tinto, não lê seus olhos, que quando cruza com o meu, grita coisas que só o coração pode ouvir.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Pulmão


Ele estava sentado no banco branco em baixo das laranjeiras do parque da cidade, sem hesitar, ao ver mais um daqueles mapas de mortes, ao ler o jornal, ele acendeu um cigarro e o levou até a sua boca ressecada.
Ela chegou de mansinho, quieta e vestida de preto, sentou-se ao seu lado. Cochichou com seu halito quente na orelha fria dele:
-Me trague como um desses seus cigarros, quando fechas os olhos de prazer ao sentir a fumaça escurecer teu pulmão. Deixe eu ser seu vicio mortal. Me tenha, me use, enlouqueça e morra. Devagar. Titubeando. Morra me sentindo dentro do seu pulmão.
Ela sempre tinha as ideias mais loucas. Mas as mais prazerosas. (…)