sábado, 30 de outubro de 2010

Trigo.

O trigo já se secou sob o intenso sol de verão, quando eu corro entre eles é possível ouvi-los ruidosamente quebrar-se.
O vento rápido e brusco brinca nas mechas do meu cabelo, fazendo-o voar delicadamente na direção oposta ao meu rosto, contornando minha face.
O vento brusco fez-me, sem querer, derramar á frente dele uma lágrima dolorida de despedida, que eu guardava por longos meses dentro dos meus olhos, que agora relatam sua covarde desistência.
A lagrima molhou o trigo seco.
Ele não se importou, seu escárnio típico permanecia á me fitar com desdém.
Olhando sua partida me sinto em casa, uma cena que eu já presumia e me preparava.
A esperança morreu.
De tantas lembranças, beijos e sonhos, a minha ultima lembrança será do trigo.
O som ensurdecedor que ele fazia ao caminhar em direção oposta á mim, pisando e quebrando os trigos e meu coração.


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