quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Algo está errado.

Como ela consegue ser tão bela? Como ela consegue ser tão sonhadora e eu, tão clichê? Como uma garota como ela poderia tornar a se apaixonar por alguém como eu?
Lá esta Elizabeth outra vez, conversando animada com seus amigos. Quem lhe vê tão despreocupada, rindo, com seus cabelos desarrumados e pouca maquiagem, nem acredita o quão divina ela é por dentro, o quão ela me ajudou, me afagou, me acolheu, e eu a recusei por tanto tempo.
Lá está Elizabeth com seus amigos, quem á vê, a acha uma garota completa e realizada, mas só eu sei o vazio que ela esconde em sua sombra, a solidão que ela carrega por baixo de seus volumosos cachos vermelhos como o fogo, a abstinencia que ela solta em cada lagrima á noite. Alias, nem eu sei, apenas sinto isso.
Todos á invejam internamente, uma garota tão bela e culta, mas tão aberta e extrovertida. Como ela se apaixonou por mim? Tão vazio, sem sonhos e sem foco.
Nunca mais ouvi suas palavras dirigidas á mim, apenas de Clarice, uma tola amiga dela que eu uso para enciumá-la, infelizmente é em vão, Elizabeth e seus cachos de fogo sempre estão focado em livros ou em pessoas que lhe dê valor.
Mas, ás vezes seus olhos não consegue ser controlados e eles fogem da ordem de pensamento dela, e me fitam rapidamente. Já peguei seus imensos olhos negros me fitando disfarçadamente, havia desejo neles, saudade, abstinência. Oh querida, no meu coração há mais dor ainda, mas como dói essa ferida que nós fizemos um no outro!
-Theodoro, o que está havendo? - Sua mão clara e delicada puxa-me, sinto a maciez de sua mão, e o aveludado em sua voz, sua face é braba e com as pestanas enfurecidas, nunca sei como reagir perante tamanha beleza interna e externa.
-O que foi, garota? - Não posso distrair-me com seus olhos vibrantes e negros, luminosos como um sol. Tenho que mostrar orgulho, tenho que mostrar-me superior, porque, eu, não sei, eu...
-Não me trate assim, não fiz nada á você. - e ela virou-se.
Peguei com mais força do que o necessário em seu braço, puxei-a e fitei-a.
-Desculpe-me, sim?
-Theodoro, você acha que sou alguma espécie de idiota? Você acha que pode se enganar e me enganar para o resto da vida? Se você tem medo de perder sua dignidade eu lamento, mas você não pode negar, eu lhe peguei me fitando varias vezes, insistindo por um olhar de retribuição, algo que você não terá enquanto eu não souber seu objetivo.
Ela enfurecida era a beleza mais rara do mundo, ela sempre cruzava os braços ou colocava uma de sus mãos na cintura, olhando-me como no começo da nossa antiga historia de amor. Seus olhos ficam intensos e raivosos, mas sua face impede qualquer manifestamento de revolta, ela é tão bela que engana á si própria tentando transparecer raiva.
Continuemos o teatro,
-Que olhar? Agora é proibido te olhar? Não posso te olhar?
Ela levanta os olhos e suspira de um jeito inigualável, só ela sabe como fazer-me apaixonar.
-Não, me olhe á vontade, mas convenhamos, quem olha quer algo, você tem de ter algum motivo para passar tanto tempo me fitando.
Que olhos.
-Não te olhei!
-Não minta para si mesmo.
Que cabelos ardentes.
-Não estou mentindo.
Que boca.
-Está! - Sua boca formou-se inconscientemente um biquinho de raiva, e seu olhar fechou-se para mim, mas ainda continuavam brilhantes e intensos.
-Não minto, como você faz, sua falsa.
Toda sua linda face formada por raiva desmontou-se para um olhar perplexo e meia boca aberta, com indignação ela virou-se rapidamente e deu vida ao fogo em seus cabelos, seus cachos que brincavam entre o contorno de sua cintura agora se afastavam de mim, mais uma vez.
Clarice veio alegremente enroscar seus braços em meus ombros, e tascou-me um beijo, no qual, eu retribui.
Foi em vão, Elizabeth estava longe.
Ela não se virou nem por piedade para olhar-me tristemente, ela apenas se foi, misturando-se na multidão de pessoas.
Só conseguia ver seus cabelos de fogos indo cada vez mais longe de mim, enquanto os lábios de sua amiga aproximava-se dos meus.
Algo está errado.


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