segunda-feira, 30 de maio de 2011

Batimento cardíaco

Eu realmente pensei que ele não ia gostar da minha chata mania de falar irritada, ou então da mania idiota de mexer os pés e as mãos. Ele gosta da minha mão. Eu sempre digo “minha mão parece um pão”, mas parece que ele gosta de pão. 
A pele dele é branca, e  entre essa grande clareza, tem pedaços perdidos de barba mal-feita. Sua boca rosada esconde o sorriso mais bonito que já vi na vida -junto a uma fileira de pequenos dentes que formam o sorriso mais encantador do universo-. Seu cabelo é formado por cachos negros tão bonitos. E seu pescoço branco fica avermelhado depois de um dia de beijos.
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Sentada naquele sofá, sentindo seu corpo quente -quente mesmo- em cima de mim, com seu o rosto apoiado no meu pescoço, com minhas mãos passeando e enrolando seus cachos, e com seus beijos percorrendo meu pescoço inteiro, e sua voz cantando e beijando no meu ouvido, sentada naquele sofá, soube, conclui: É você. Você é meu outro pedaço, meu encaixe perfeito. Conclui que sua pele tão quente contrasta perfeitamente com o gelado dos meus labios. Conclui tambem, que o seu cheiro causa efeitos colaterais em mim: Tenho abstinencia do seu cheiro, suspiro involuntariamente, meu coração bate muito acelerado, e não consigo parar de sorrir. Sim, já fui no médico, ele disse que é amor.
Juro que não ouvi a maioria das coisas que você disse. Me desculpe, mas foi inevitavél. Com os meus braços enroscado no teu corpo, fiquei fitando, hipnotizada, seu olhar. Seus olhos tão delicados, cilios grandes moldando um olhar meigo, um olhar castanho-mel. Seus olhos fitavam minha boca, enquanto eu falava sem parar -maioria coisas bobas- você observava -desejava, beijava- minha boca.
Sua risada. A cada beijo falho, nós soltavamos a risada mais embalante do mundo. Seus beijos, os beijos mais apaixonados, mais belos, mais desejaveis, mais amaveis do mundo. Começava com um bote: era só eu olhar para cima, para procurar nosso reflexo no espelho do teto, e você rapidamente colocava os labios quentes no meu pescoço frio. E então, seus lábios subiam meu pescoço, percorria o trajeto pescoço-orelha-cabelo, e em seguida você suspirava baixinho -e apaixonante- no meu ouvido, o que me fazia suspirar tambem, e terminava com um abraço forte, um abraço cheio de suspiros, um abraço que esperavamos por tanto tempo, tantos dias, tanta semanas.
Eu te encarava, você me encarava. Seu cheiro me convidava, chamava (gritava,implorava) para eu te beijar a boca, o pescoço, o cabelo. Eu olhava teus olhos, acompanhando seu olhar. Você olhava minha boca, acompanhando minha fala. Desculpe, mas perdi a brincadeira. Você perdeu a brincadeira. Te beijo, você me beija. Erramos o beijo. Rimos. Repetimos.
Abraçados, fingimos estar olhando uma exposição de desenhos ridiculos. Com você do meu lado, perco noção de espaço, de ar, de chão. Não conseguia me concentrar em desenhos, em exposição ou em qualquer coisa no mundo, enquanto você estava do meu lado, se encaixando perfeitamente nos meus braços. Eu só conseguia me concentrar na tua fala mansa, no seu olhar meigo, nos seus cachos negros, no seu cheiro desejável, em você. E então, em um abraço com meu corpo colado no seu, sinto seu coração batendo -tum tum, tum tum- e não hesito em colocar a mão sobre teu peito, e sentir mais precisamente cada batida. Tua vida estava nas minhas mãos. Com a mão no teu peito, deito minha cabeça no seu ombro, cheiro teu pescoço, e o beijo. Beijo teu pescoço, mordo tua bochecha, e suspiro um “eu te amo” no seu ouvido. E então, só me lembro que minha mão estava no seu peito, porque senti seus batimentos cardiacos se acelerarem bruscamente. E você disse "daqui a pouco vou ter um ataque cardíaco".
Meu coração tambem bateu bruscamente, alias, ele se acelera sempre que estou com você. 
Tum tum, tum tum. 
Meu coração está batendo, está batendo por você.
Tum tum, eu te amo.

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