sábado, 21 de maio de 2011

Elevado ao infinito.

Eu iria dormir ouvindo o som da sua risada antes de dormir, seguido de um beijo no meu cabelo. 
No outro dia iria acordar de manhã, com você tocando alguma música bem baixinho - quase inescutavel- sentado no sofá da sala, e eu, deitada na cama, de cabeça para baixo, ficaria te observando pela fresta da porta. Você tocaria baixinho, querendo que eu não acordasse -você sabe que eu odeio acordar cedo-. E então, você iria ver que estava acordada, e pensaria em alguma desculpa: ficaria inventado e gaguejando entre “hum, é, ahñ, hmm” e eu iria te imitar. Você ia rir. Eu iria rir. Nos olhariamos. Riríamos novamente. Nos beijaríamos. 
Acordariamos e iriamos para a cozinha, tentando se encontrar na bagunça do quarto, no meio do labirinto de roupas e folhas, rascunhos de músicas e textos -sempre fui desorganizada-, não teria problema.
Na cozinha, você prepararia omelete, suco de laranja, e então, serviria tudo com um lírio do lado da bandeija. Como você é meigo. Que lindo. Eu te beijaria, você me beijaria, e então, voltaríamos com todo o trajeto da noite anterior.
Depois, iriamos almoçar -porque falamos tanto de comida?- e no nosso armario só haveria porcarias: ruffles e doritos, trankinas, e congelados. E eu não iria cozinhar de final de semana. 
Depois iriamos para a sala, assistir algum filme que esteja passando na sessão de domingo. Mentira, nós nunca assistimos os filmes. Corrigindo: Ficariamos deitados, abraçados, na frente da televisão ligada. Não necessariamente assistindo ao filme.
Você ia ver algo na televisão que iria lembrar sua infancia: “Para Leonard, que mania de velho!” eu diria brincando, e então iríamos rir, e você iria começar a falar sobre algum personagem de desenho animado: “Pulou da terceira idade, para a infancia?” Reclamaria, e então iriamos soltar outra risada. Porque voce me faz rir tanto? Não importa. Ria, ria sempre, sempre quero ouvir o som da sua risada. Esse som é lindo, você é lindo.
Depois do tédio, você iria tentar me convencer a jogar xadrez -Por que tantas manias de velho?- eu não iria jogar, diria: “Eu não sei jogar amor!”. Você desistiria de tentar me convencer.
Então deitaria no seu colo, e abriria o dicionário: “Amor, escolhe uma pagina”. Você escolheria (escolheu): Página 702. Primeira coluna. Nona palavra: Resolução. Rezou o Lução. Lução Rezou. E então, Rezou Lução. Solução. Retomou um soluço grande: Re-solução. 
E então passaríamos o resto da tarde inventando, dando origem á novas palavras. Uma mania doida, mas é a nossa mania doida.
-Olhe Leonard, já é de noite! - Diria admirando o céu, debruçada na janela aberta- venha ver amor.
Você iria me abraçar, pousaria o rosto no meu ombro, e então, observariamos o céu:
- Olhe aquelas duas estrelas, elas brilham tão forte! - Diria encantada.
- É, somos nós. - Sua voz macia me responderia.
Estaria tarde, iriamos dormir.
Deitaríamos. Fechariamos os olhos. Mentira. Os dois ficariam se fitando, e contornando o rosto um do outro, eu iria passear meus dedos gelados no desenho do seu pescoço, e você alisaria meus cabelos. Aproveitando a sintuação, eu iria te dizer algo bonito: recitar algum poema de Mario Quintana, ou então dizer alguma famosa frase de Caio Fernando Abreu. Você iria estragar o clima, se lembraria de algo muito bobo e iria contar. Ficaria calada, você iria perceber o fora dado. “Desculpa amor, eu sou muito besta” você diria para mim, e eu não responderia, eu te daria um beijo. “Leonard, Leonard… você não tem jeito viu?” Ririamos. 
-Leonard, Leonard, Leonard - cantaria, cochichando no seu ouvido.
-Eliza, Eliza, Eliza - você cantaria depois, cochichando, baixinho e quentinho no meu ouvido.
- Eu te amo muito - iria dizer bem baixinho, soltando um suspiro apaixonado junto.
- Eu te amo muito muito muito mais. - Você retrucaria.
- Eu te amo muito mais elevado ao infinito - E então, começaria a disputa: Quem ama mais?
(…)
Está muito tarde, já é madrugada, precisaríamos dormir. Não conseguiríamos. Fecharia os olhos dominada pelo sono, e então, de repente, você me surpreenderia cantando no meu ouvido, bem baixinho, com sua respiração quente perto de mim: “Last night, she said…” Eu continuaria, bem baixinho, cantaria no seu ouvido, completando as reticencias: “Oh, baby, I feel so down” dando continuação, você cantaria ” See it turns me off”. Você esperaria eu cantar o resto da música, e então, eu diria rindo “não sei o resto amor.” Você riria, eu riria, como é bom…
Iriamos dormir só quando o sol iluminasse o céu, só depois de dizermos o quanto nos amamos, depois passarmos uma madrugada fazendo declarações, propondo fugas para a Inglaterra, ou testando as mais engraçadas - e ridiculas- cantadas. Você me daria um beijo na testa, sorrindo de olhos fechados, sussurraria: “Eu te amo muito… Boa noite” e eu diria: “Eu te amo muito mesmo elevado ao infinito” - dariamos uma risada- “Bom resto de noite”. Dormiríamos. Fecharíamos os olhos, e sussurraríamos uma ultima vez juntos: “Que doce seja”.
E no outro dia acordaria te amando mais.

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