quarta-feira, 18 de maio de 2011

Medo

Elizabeth estava deitava debaixo da janela, como de constume. Isso a tranquilizava, a acalmava. Talvez por deixar ela dentro do seu mundo, mas podendo dar vista ao resto do mundo. Ou apenas por ter uma obcessão por janelas abertas.
Estava frio. Muito frio. Ela estava enrolada no seu cobertor, seu casulo, sua proteção. Com os olhos já umidos, e sentindo sua face quente, as 16:00 horas, ouviu teu telefone tocar.
Uma.
Duas.
Três vezes.
- Alô? Alô? Eliza? -A voz macia e preocupada de Leonard repetia a mesma palavra.
-... - E então, Elizabeth soltou um suspiro doído.
- Eliza! Me responda!
- Eu te amo, - era quase uma respiração -  eu te amo, - disse em um cochicho. - eu te amo, - disse, quase chorando- eu te amo!
- Eu tambem te amo muito, muito mesmo - Leonard disse confuso, mas sincero.
- ... Venha.
- Aonde?
- Aqui, preciso de você.
- Que horas?
- Antes que eu morra.
- Estou indo.
- Voe!
- Não sei voar.
- Venha, que te faço ir as nuvens. Antes que eu caia no chão.
-Como?
E então, com o telefone nas mãos, Leonard só ouviu um sinal repetitivo: tum, tum, tum. Elizabeth desligou.
Já era de noite, sete horas da noite. Essa hora, a temperatura costumava cair, mas para Elizabeth, estava frio no seu coração, congelado, agonizante, desde cedo. Havia uma coisa quente: Seus olhos umidos.
Elizabeth estava debaixo da janela, tomando leite quente e escrevendo alguns rascunhos sobre lírios e coisas do genero, quando então, Leonard chegou.
-Estou aqui, diga Eliza, o que houve? - Leonard calmo como sempre, (o que constrata com o nervosismo habitual de Eliza) se sentou do seu lado, pousou sua mão sobre a dela, um pouco receoso.
-Você me ama? - Elizabeth estava com a cabeça baixa, ela não queria ser direta, já vinha a tanto tempo com excessos de ciumes, o incomodando tanto. Ela se sentia egoista, se sentia horrivel, receosa, insegura. Mas tinha que ser clara com ele, se não, morreria internamente, morreria de medo, morreria de ansiedade, morreria, apenas. Pode ser que ela não iria morrer, mas no mundo intenso e teatral de Elizabeth, seus sentimentos poderiam ser arrebatadores e intensos demais para uma simples garota, como ela.
- Mas é claro que eu te amo. - respondeu calmamente Leonard.
- Se me amas, vai entender: Do nada eu tenho vontade de desistir de tudo, de nós… Do nada eu tenho medo, tenho insegurança, tenho medo do novo. Eu tenho medo de mergulhar de cabeça em um buraco escuro, sem saber no que vai dar. Eu tenho medo de mexer com um relacionamento, uma vida, minha vida, sua vida, nossa vida, eu tenho medo de carregar de responsabilidades, tenho medo de depender de alguem, tenho medo de ferir, de ser ferida.E esse é o momento que eu preciso que você me chacoalhe e coloque os meus pensamentos em ordem certa. E que voce me tire esse terrivel senso de insegurança que me assombra. Me dê um choque de realidade, e me faça perder medo do novo. Sei que vou desistir, eu sempre desisto facil, sempre me arrependo, eu tenho medo, tenho insegurança: mas prometa que não irá deixar, como Caio Fernando, irá Re-mar, não desista de nós, me ensine a te querer sem medo junto ter.

Leonard ficou perplexo. Na realidade, não estava entendendo a sintuação, ele queria explicações, porém, nem mesmo a propria Eliza conseguia explicar, descrever esse sentimento, esse medo.
- Me explique melhor, meu amor... Não me queres mais? - Receoso, Leonard a encarou.
-O problema é que eu te amo muito, te quero muito, te protejo muito, tenho muito medo, tenho muita insegurança, tenho muito receio de te perder… O problema são os excessos em mim.
- Você esta feliz comigo? - Leonard perguntou.
- Como nunca estive na minha vida, mas tenho tanto medo... - Eliza não conseguia encara-lo.
- Do que?
- De te ferir, de me ferir, de que não dê certo, que a distancia nos afaste, de você desistir, de você acordar numa manhã clara e pensar "não amo mais Elizabeth, e sim a Marie". Tenho medo de entrar de cabeça nesse amor, de me apaixonar completamente, e depois não der certo. Tenho medo de não te ter.
Leonard riu, riu timidamente, riu da ingenuinidade de Elizabeth, e então, enroscou seu braço envolta dela, e apertou forte, logo em seguida, deu um beijo em seu pescoço, e posou sua cabeça lá, e disse com calma:
- Prometi que iria preencher o vazio do seu coração. Digo que te amo, absurda e completamente: te amo! E se eu estou com você, aqui, agora, sentado no chão frio, debaixo dessa janela, abraçado com a pessoa que eu amo a cada batida do coração, é porque eu quero você! É porque eu amo VOCÊ.
- Desculpa Leo... Eu te amo tanto! - E então Eliza sorriu, com aquele jeito meigo que fazia Leonard suspirar.
- Mesmo?
- Mesmo!
- Huuumm. -  E então, Leonard deu essa resmungadinha que Eliza amava, que se derretia, que a encantava.
- Huuum. - Eliza imitou-o, ela sempre o imita. Ele gosta disso.
Ele riu, ela riu, os dois estavam juntos: rindo e se amando. Isso era o que importava. Isso fazia Elizabeth perder o medo. Eliza o amava, Leo o amava... Para que ter medo então?

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