sábado, 7 de maio de 2011

Um lírio na janela.

Era outono, estava frio.
E Elizabeth congelava: Por fora, sem tua manta de linho para lhe esquentar... Por dentro, o seu coração estava tão frio, que o sangue que era bombeado, trincavam as veias. Seus pulsos doiam, mas ela não sabia se era pelo frio, ou pela força em que ela escrevia para seu amado.
E então, Elizabeth ouviu uma voz sussurrar em seu ouvido, o hálito quente em contato a sua pele tão fria, lhe causava um arrepio que percorria sua espinha.
Leonard então, tocou seus cabelos, e fez um rápido trajeto pelo corpo de Elizabeth, e suavemente pegou a mão fria dela, e colocou contra seu peito. Seus olhos se fitavam:
-O que sente, Eliza? - E ficou a observando, forçando-a lhe dar uma resposta.
-Sinto uma batida, um ritmo dentro do teu peito, sinto seu coração. -Sorrindo, e sem entender a pergunta, Elizabeth apenas sorri, e continua o fitando.
-Na palma da sua mão, está agora o motivo da minha vida, está meu coração. Se meu coração parar, minha vida acabará. E minha vida está na palma sua mão agora.
Elizabeth se inclinou para beijar teus lábios quentes, que contrastava com seus lábios frios. De certa forma, nunca o quente e o frio, o fogo e o gelo, estiveram tão unidos.
Logo então, com as mãos no cabelo de Eliza, e o olhar penetrando-se no seu, Leonard pediu, como uma suplica:
- Por favor, não me faça morrer, nunca.
Sem entender a suplica, apenas encantada com seu tom de voz, com a dor em seu pedido, ela diz:
-Leonard, minha mão está em seu coração, mas não posso controlar o seu coração.
Leonard sorri, gosta do jeito ingênuo de sua amada. Gosta de sua sensatez.
-O meu coração apenas é responsável por minha morte física.
Elizabeth continuava com um olhar confuso, isso fez um pequeno sorriso se formar no canto dos seus lábios, ele estava conseguindo deixar sem falas, quem sempre causa esse efeito nele.
-Eliza, - Pegou a mão dela, e suavemente a beijou.- se um dia você partir, se um dia você acabar com essa felicidade que sinto com você, com esse amor que borbulha em cada palavra que eu lhe digo, com essa vontade louca de te pegar em meus braços e te proteger de todas as dores que você possa sentir, enfim, se um dia, você me deixar, acabar com a minha luz, e me deixar em uma escuridão, você me matará. Cada dia sem você, será um dia morto, um dia sem sentido, um dia mais próximo para minha morte física. Não serei ninguém  sem a minha metade. Serei impotente, não teria forças para aguentar um vazio agonizante dentro de mim.
- Como você é tolo Leo! - Agora Elizabeth tinha em seus lábios, um sorriso. Ela enfim havia entendido o que ele tentava dizer. - Eu estou com você, aqui, agora. É porque eu te quero, te quero comigo, quero que você me preencha, que você borbulhe de amor suas palavras, quero que você me acolha em teus braços, e me proteja de toda as dores que eu possa sentir. Se estou com você, é porque eu ficarei para sempre.
Ele sorriu, ela sorriu. Eles não precisavam dizer mais nada, não precisavam demonstrar mais nada, aquela inquietação dentro deles, aquela sensação de felicidade no coração dos dois, já dizia por si próprio,
Elizabeth, em relance, olhou a janela. E lá, um lírio estava brotando.

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