terça-feira, 28 de junho de 2011

Ti e Tu, Norte ao Sul.

Ah, é tu quem me conheces de verdade. Me conhece mais profundamente do que qualquer outro já me conhecera. Tu conhece minhas manias loucas e meus segredos. Conheces tudo de mal e ainda continua me amando. Tu é quem ri e que me embala. É de ti que eu tenho um ciúmes absurdo. Não te conto nada, porque se soubesse iria se irritar com a imensidão enorme do meu ciúmes. É tu quem moras na minha mente, está cravado no meu coração e tatuado na minha pele clara. É tu a unica fonte de inspiração para meus contos reais, e irreais. É tu quem dorme toda noite comigo, nos meus pensamentos. Ah, mas se tudo que eu imaginasse se projetasse na realidade, tu realmente iria toda noite dormir comigo, toda manhã acordar comigo, toda tarde escrever comigo. É tu a caneta do meu papel, as palavras dos meus textos, o ar do meu pulmão. Estou escrevendo “tu e ti” e me lembrando do Renato Russo, e de como tu gostas dele. É tu quem eu vejo nos meus sonhos, nos meus devaneios. É tu quem tem o queixo mais bonito do país e o sorriso capaz de iluminar a cidade inteira. É tu quem me acolhe quando estou triste e então cuidas de mim com tua fala mansa. É a tua voz que me cobre antes de dormir e me acalma para que eu tenha uma noite de sonhos contigo. É tu quem me irrita ás vezes e eu fico quieta, sei que tu percebes. Não é joguinhos e eu não gosto de joguinhos. Fico quieta porque sei que tu percebes e compreende. Ah, quando não falo contigo dá uma tempestade fria no meu pequeno coração, mas quando podemos nos falar tu me aquece. Me sinto em casa, me sinto confortavél, me sinto contigo. É só tu que tem aquele cheiro tão bom. Consigo sentir teu cheiro enquanto estou no Norte, e tu estas no Sul. Consigo te querer mesmo sem te ver por tanto tempo. Ah, falando em tempo: Junto á ti, um dia passa em uma hora. Longe á ti: Cada dia passa em uma semana. Como consegues ser causador de tantos efeitos? Tu consegue controlar o tempo, meu coração e até as sensações. Tu causa efeitos bons em mim. Teu sorriso me acalma, tua voz me aquece a alma, teu jeito me faz querer viver, e mesmo longe a ti, só sei te querer.

Conceito sobre o amor.


 Acordar cedo, tirar a roupa calmamente e meio sonolenta, com os cabelos ainda armados, guardar o amor e a dor numa caixinha pequena e delicada, e tomar um banho quente.
Enfiar a cara na água quente e deixa-la correr pelo o corpo nu e a mente vestida. Mente vestida de tristeza e rancor, por mais que eu quisesse me livrar dele, ele não saia dos meus pensamentos, aquela estúpida briga que tivemos sexta-feira á noite não saia da minha cabeça.
Você sai do banho e com a toalha úmida rodando seu corpo, vai até a cozinha e coloca dois pães na torradeira, e aguarda.
Aí você pensa em tomar alguma taça de vinho, mas se lembra que ainda são oito horas da manhã e o certo seria um copo de leite frio.
E então você vai até a mesinha-de-centro e hesita em pegar um cigarro, mas se lembra que prometeu á si mesma que iria ter um pulmão vermelho.
Você desiste, e agora tem em mãos, um pote de creme hidratante.
Você passa pelo o corpo inteiro, dos pés frios até o rosto marcado, delineando seu corpo, e com os pensamentos conturbados correndo na sua mente.
 Aí você sente um cheiro estranho. Não é o cheiro dele, que toda hora tu sentes como uma forte lembrança. É cheiro de queimado. Torrada queimada.
E então dei um pulo surpreso da cama, e corro imediatamente até a cozinha bagunçada: cascas de ovos espelhados pela pia, uma mancha de achocolatado na mesa, e para minha surpresa, uma figura que não pertence á minha cozinha. 
Uma rosa avermelhada, bem no vão da porta. Não apenas avermelhada, mas sim uma rosa tão vermelha quanto o sangue, parecia ter sido pintada por sangue. Um vermelho-paixão, um vermelho bonito de se ver.
Abri a porta para pegar a rosa, e dentre o vão vi um pedaço de papel no fim do caule da rosa. Parecia ter sido escrito por alguém com muita pressa, as letras borradas e mal caprichosas diziam “vá para a portaria”.
Tive um impulso inconsciente de sair correndo até a portaria, mas parei e deduzi que não seria agradavel fazer isso. Primeiro porque eu ainda estava nua e lambuzada de hidratante, segundo, porque a torrada ainda estava virando um carvão e sujando toda a torradeira.
Com um ponto de interrogação marcando meu rosto, corri rapidamente para matar minha curiosidade: depois de tirar a torrada/carvão da torradeira, corri até meu quarto e coloquei em um único movimento o vestido de algodão que havia separado para ir até a biblioteca municipal.
Enquanto ia atá a portaria, desci as escadas prendendo meus cabelos dourados no alto da cabeça. 
Ao chegar na portaria, vi o seu Zé calmamente sentado na sua cadeira velha que fedia á mofo, e enquanto ele segurava seu café quente na mão esquerda, com a mão direita separava as cartas dos moradores do prédio. 
- SEU ZÉ! - Gritei com um tom de desespero desnecessário. Maldita ansiedade.
-Ora menina, o que houve? - Ele pareceu um pouco assustado com o grito, mas se acalmou por ter visto que era eu.
-Disseram que era para vir até a portaria. -Fui objetiva.
-Disseram para você ir até o táxi que está te esperando aí fora.
Fiquei extremamente surpresa, e então, saí curiosa na rua, procurando o tal táxi.
Biiiii Biiiiii.
Segui com o olhar, o som da buzina. O táxista parado do outro lado da rua acenou para mim, com um gesto dizendo “venha aqui”. E eu fui, receosa.
-Me disseram para te levar ao café. - O táxista velho e barbudo, com os cabelos grisalhos e a fala mansa, disse calmamente.
Entrei no carro receosa e duvidosa, mas o que teria a perder?
Ao chegar no café, me dirigi até o balcão de mármore, e antes que eu pudesse indagar algo, o atendente disse: a mesa que guardaram para a senhora. - E o jovem apontou rapidamente para uma mesa no canto do café. Uma mesa como as outras, só que nela havia um cappuccino, duas torradas e um bilhete me esperando.
Caminhei confusa até a mesa. Me sentei para comer, alias, estava morrendo de fome. Enquanto tomava o cappuccino na xícara quente, abri o envelope pequeno, e dentro dele havia um pequeno bilhete com uns números, como se fosse senha do banco, senha de fila de espera.
Depois de saborear o delicioso café-da-manhã, voltei até o táxi.
Imaginei que ele iria me levar de volta para casa, mas para minha surpresa, ele estacionou em frente á livraria municipal, e disse: "leve esta senha até a Dona Carla, da biblioteca."
Não perguntei nada, apenas assenti. Qual seria o mal?
Entrei na biblioteca e fui logo até a bibliotecária, e perguntei sobre a tal Dona Carla.
"Eu mesma", ela disse com um sorriso simpático.
 Sem dizer mais nada, lhe entreguei o bilhete com a senha, e após analisar rapidamente, ela pediu para que eu aguardasse.
Não demorou um minuto, ela voltou com cinco livros nas mãos, todos escritos por Mario Quintana, ela os colocou nas minhas mãos, e disse sorrindo: "Reservaram esses livros para você, disseram ser seus preferidos, espero que goste. Pode entregar no mês que vem". Antes que eu pudessse lhe  pedir explicações, ela se virou e foi embora.
Fiz o mesmo, me virei e voltei até o táxi. 
Mais uma vez, o táxista não me levou para casa, mas sim, parou na frente de uma floricultura pequena e aconchegante, e disse "Vá até o balcão e se apresente".
Sem entender nada, assenti e fiz o que ele pediu.
Entrei na floricultura pequena e cheirosa, cheia de todos os tipos de flores: das mais belas ás mais estranhas, todas com um cheiro maravilhoso, uma fragrância hipnotizante. 
Cheguei até o balcão de madeira, e me apresentei para uma senhora velhinha, que em seguida, sorriu para mim: "Oh sim, mandaram te entregar isto" E ela colocou em minhas mãos, um buquê de rosas extremamente vermelhas, vermelhas-paixão. Provavelmente as mesmas rosas que aquela que estava no vão da minha porta. 
Sem reação, apenas sorri feliz e tomei as rosas de seus braços enrugados. 
Ao voltar para o táxi, ainda sem saber o que estava havendo, somente fiquei observando o movimento das pessoas janela à fora. Havia um casal abraçado no ponto de ônibus, ela sorria conforvel com a cabeça em seu ombro, enquanto ele a cobria com seus braços. E naquele momento, me veio a resposta desse dia insólito, me lembrei dele. Será que era ele quem planejou todas essas surpresas? Será que ele se arrependeu de ter gritado comigo ao telefone, e agora, está se redimindo com todas essas surpresas lindas? Será que agora, o táxista irá me levar até ele, e nós iremos nos abraçar, e ficaremos pedindo desculpas baixinho um para o outro? 
Mas, para acabar com a minha quase-epifania, o táxista parou o carro em frente ao meu apartamento.
-Até mais menina! -Ele deu um sorriso, e apontou para a porta como se dissesse "já sabe por onde é a saída".
-Mas...É só isso? - Perguntei confusa.
-Sim. Você poderia ir logo? Tenho que buscar uma senhora antes que a peça termine, e o teatro feche. - Ele disse apreensivo.
-Oh, desculpe. - E então, saí do carro.
Sem cumprimentar o Seu Zé, subi rapidamente pelas escadas de marmore, pisando com raiva em cada degrau, e senti aquele quentinho de lágrimas umedecendo meus olhos verdes. Duas bolinhas de gude largadas dentro de duas piscinas. Ele jogava bolinha de gude. Oh droga, por que eu tenho que ficar lembrando dele? Meu dia já estava feliz antes de que eu tivesse aquela miníma esperança de merda de que ele tivesse se arrependido. 
Ao chegar no apartamento, nem precisei me preocupar em destrancar a porta, ela estava aberta. Provavelmente eu havia esquecido de tranca-la. Bastou colocar a mão em cima da maçaneta e fazer uma minúscula força, que ela já se abriu.
Entrei na cozinha bagunçada e toda suja, e deixei meus presentes anonimos em cima da mesa. Sim, eu já estava chorando, discretamente.
Quebrei minha promessa de pulmões vermelhos e um coração puro. Meu coração já está todo ferrado, minha esperança estilhaçada, que se dane, ferrarei com o meu pulmão também!
Peguei o cigarro, e fui até a sacada. Fitando em vão o céu ensolarado, fiquei relembrando da nossa última conversa. Mas que bobeira nossa, brigar por ciúmes.
Eu, que sempre achei ciúmes uma coisa meiga, protetora, algo que dissesse "Ei, ela é minha menina, só minha." ou até um medo de ser substituído, acabou acabando com nossa felicidade, com a sua menininha.
No meio das minhas lágrimas, soltei uma risada sem graça, um riso amarelado. Como pude ser tão idiota? Deixar que uma conversa enciumada no telefone acabasse com sete meses de pura felicidade e troca de amor? Como pude deixar tudo acabar por tão pouco? Não. Não vou deixar acabar assim tão fácil. Sempre digo que você desiste fácil. Mas eu não.
Isso aí, vou jogar esse cigarro no cinzeiro e lutar por um coração e um pulmão limpo e puro.
Me levanto decidida e caminho rapidamente em direção ao meu quarto: lavar o rosto, limpar as lágrimas, colocar um casaco e irei decidida atrás do meu amor.
E então, a caminho do quarto, sinto um cheiro leve de jasmim no ar. Aquele cheiro de incenso que eu sempre acendia na casa dele. A casa dele sempre tão bagunçada e fedendo á pizza calabresa, eu tentava disfarçar aquele odor culinário com uns incensos que eu trazia para sua casa.
Mas ao entrar no quarto, vi algo diferente. Vi minhas roupas amontoadas e socadas em cima da cama, algumas camisetas de personagens infantis que eu adorava estavam jogadas pelo o chão, tinha pares de meia perdidos pelo sapateiro, a bagunça tipíca e normal de sempre. Mas em cima da minha pilha de livros que ficavam na minha cabeceira, estava um dos meus incensos de jasmim acessos.
Confusa, me dirigi até o banheiro do quarto.
Cansada desses joguinhos anonimos e dessa confusão, abri a porta em um único movimento.
E lá estava ele, com a cara culpada me fitando, seus olhos negros-penetrantes estavam marejados, e ele disse com a voz baixa e receosa:
-Você bagunçou minha vida, minha cabeça, me confundiu, me virou do avesso, fez a completa transformação na minha casa, e a deixou com cheiro de jasmim. Achei justo vir descontar e fazer o mesmo contigo.
O encarei perplexa, com uma raiva crescente. Então era tudo um joguinho para me confundir? Para tirar uma com a minha cara? Para tirar uma com a apaixonada e iludida?
Corri em direção a ele e comecei á bater no seu peito, começei a gritar palavras sem sentido e sem poder aguentar todos aqueles sentimentos explodindo feito granadas dentro de mim, começei á chorar. De raiva, de amor, de desesperança. Não sei.
E ele sem dizer palavra alguma, colocou a mão sob minha cabeça, e me fez pousar o rosto molhado de lágrimas no seu ombro. E continuou dizendo:
-...E você me fez ficar desde sexta-feira á noite chorando feito uma criança desolada sem um colo materno para chorar. Você me fez ficar sem poder dormir, com uma insonia dolorida. Você me confundiu. Mas você tambem me fez enxergar como é bom tirar o cheiro de calabresa de casa, me ensinou palavras novas que eu desconhecia. Você me ensinou a amar e ser amado. Você me fez retomar o gosto pela leitura e por desenhos animados. Alias, você me ensinou que não existe idade para pararamos de ser crianças. Você me ensinou á fazer paquecas. Você fez com que eu ficasse com milhões de sentimentos confusos, todos relacionados á você. Você me fez entender, o que é amor. E aprendi com você, que amar uma pessoa é não desistir dela, é sempre a querer, somente á ela. E mesmo que você mesma não siga seus proprios conceitos do que é o amor, eu estou aqui, seguindo seus conceitos, seus conselhos. Estou aqui, pedindo perdão por aquela sexta-feira á noite, e por qualquer sentimento ruim que eu tenha causado á você. Não é certo, uma pessoa que só me faz feliz, que só me quer feliz, sofrer. Eu te quero feliz, te quero alegre, te quero comigo.
-Você sabe onde está meu casaco vermelho? -perguntei, manhosa e chorosa, com a respiração abafada dentro do abraço dele.
-Por que?
-Eu vim para meu quarto para vesti-lo, e ir defender meu conceito sobre o amor. Estava indo para a sua casa. Eu não conseguiria viver sem você meu amor, eu não iria desistir tão rápido de você.
-Eu te amo. -Ele sorriu emocionado, com seus olhos marejados, não sabia se aquelas lágrimas eram  de tristeza, alivío, ou alegria.
-Eu te amo também.
E nos beijamos.





segunda-feira, 27 de junho de 2011

Saudades e observações.

 Hoje quando estava divagando em meus pensamentos, parei, e involuntariamente comecei á observar as pessoas tão vazias ao meu redor. Suas feições, seus traços, seus olhares. E procurava neles, em vão, somente um rosto. No meio daquela multidão, me sentia completamente sozinha e vazia sem você lá. Me sentia como se metade do meu ser estivesse longe, em outro lugar, em outra cidade, á quilômetros de mim.
Procurava em cada rosto, os seus traços.
Procurava ver no riso deles, o jeito que você fecha os olhos e expõe todos os seus dentes ao rir á vontade, e se deixa ser levado pela graça do momento. Por um quadrinho que viu, por uma bobeira que ouviu. O jeito embalante do seu riso, e o som chamativo.
Procurava em cada voz, tua fala mansa que me acalma, e que me dá paz. Procurava em cada voz, o efeito que tua voz causa em mim, a paixão que me acalma. É quase como uma música quando tu falas, e até tua respiração tem um ritmo delicioso de se ouvir. Fecharia os olhos, grudaria na tua pele quente e ficaria o dia inteiro ouvindo a música que sai da tua boca.
Continuo com a minha observação, e então, olho em soslaio para um casal à minha direita.
Estava frio, e era julho. 
Ele a abraçava e a tomava em teus braços, ela assentia com um sorriso reconfortado, e se protegia do frio dentro dos braços dele.
Aí senti um aperto no coração, senti uma saudade dolorida. Lembrei da tua pele quente esquentando o frio da minha pele. Lembrei do teu beijo manso, e a única coisa que eu queria era você.
Nem precisava estar me beijando, me abraçando, ou me tocando. A única coisa que eu queria naquele momento era te ver, era você.
Senti minha mão gelada. Minha mão tão pequena e gelada, precisando da tua mão quente e suada para se encaixar perfeitamente.
Em um todo, precisava somente de ti. Inteiro. Comigo. Já.
Foi então, relembrando tua pele macia, da tua voz cantando atrapalhado Adriana Calcanhotto, do teu jeito meigo de rir dos meus filmes infantis, foi então, que eu cansei de ficar me torturando de saudades, e de ser masoquista.
Peguei meu telefone e te liguei.
A saudade estava me causando uma abstinencia enorme, estava ansiando internamente por ti. Meia trêmula -de frio e abstinência- te liguei.
E ao ouvir tua voz manhosa de sono no outro lado da linha, senti um alívio instantâneo, um jorro de paz, e senti meu coração borbulhando de amor.
-Te acordei amor? -perguntei culpada.
-Acordou sim amor.- Que voz!
-Desculpe...Mas é que eu estou com muitas, muitas saudades mesmo!
Agora sim, me sentia melhor. Me sentia inteira. Me sentia contigo.

domingo, 26 de junho de 2011

Propostas


Aí tem horas que dá vontade de te telefonar só para dizer: “vem cá baby, e fluí no interior da minha boca, na superfície da minha pele gelada e carente de calor humano, especialmente do seu calor. Vem baby, como já dizia Caio Fernando, e fluí”.
Podemos fugir, pegar um trem sem saber seu destino, e se faltar dinheiro podemos cantar cazuza (em ritmos diferentes) na rua, e ganhar uns trocados para comer coxinha na padaria mais próxima.
 Podemos ficar acordados a madrugada inteira e observar juntos o dourado do céu no sol nascente, e mescla rosada que as nuvens fazem no meio do dourado.
Se a maré subir, pegaremos nosso barquinho e voltaremos para o início, ou pularemos do barquinho e remaremos contra a corrente.
Se a luz acabar, você pode me iluminar com o seu olhar cheio de brilho e luz.
Sei lá, podíamos fugir e só voltar depois de uma semana, com a cara inchada e o pescoço marcado, rindo em vão e se olhando apaixonado.
Podíamos ir numa sala de espelhos, e eu ia te fazer enxergar o quão -extremamente- lindo você é.
Eu poderia morder seu queixo áspero até arrancar um pedaço, e você continuaria com os seus ataques vampirescos.
 Poderíamos um dia qualquer, marcar para nós pararmos de sonhar e realizar cada item da nossa lista imaginaria -e ainda não acabada- de “Coisas para fazermos juntos”. Ou poderiamos continuar sonhando e completando a lista, idealizar nossa rotina daqui á anos, ou sonhar cada vez mais alto, baixo, possivel, impossivel, improvavel, provavel…
Então numa noite fria de julho, eu te ligaria com propostas loucas de fugas noturnas, pedindo para nós nos encontrarmos e saírmos por ai, poderíamos caminhar por uns quarteirões fugir num trem sem destino, roubar um navio pirata, ir de nave para a lua e conhecer o sistema solar pessoalmente, pular de para-quedas, nadar num lago frio, ler todos os livros de uma livraria e sair sem comprar nada, assistir todos os filmes do cinema, jogar todos os seus jogos de tabuleiro e assistir todos aos meus musicais, inventar receitas: doces salgados, salgados doces. Plantar flores e fazer um jardim, com roseiras e lírios.
Poderíamos fazer o que quiséssemos, você só teria que aceitar minhas propostas malucas e de loucuras, cheias de consequências, mas que vem carregadas de sentimentos deliciosos: uma loucura prazerosa e libertadora.
Sei lá, as vezes dá vontade de te telefonar e fazer várias propostas loucas. 
Mas a proposta mais importante: quer realizar, um dia, todas elas?



quarta-feira, 22 de junho de 2011

Um dia.

Um dia você vai ir dormir, e entao, quando pousar tua cabeça confusa no travesseiro, e pregar teus olhos, virá a imagem dele rapidamente, virá á sua mente, tudo que você mais ama nele: O sorriso meigo, o olhar chamativo, a pele macia, a fragilidade do seu piscar de olhos, a maciez dos seus lábios ao falar.
Um dia, você irá conhecer alguém que você possa dizer que é perfeito. Alguém cheio de defeitos. E ainda sim você achará essa pessoa perfeita. Você se apaixonará por ela: por suas qualidades, seus defeitos, suas manias loucas, sua risada embalante, por as idiotices que fala, pelos segredos que guarda.
Um dia você irá tentar fazer algo normal em sua rotina, e verá que ele entrou na tua vida, entrou na sua rotina e virou tudo do avesso. Você irá ler um livro, e terá que voltar a reler a mesma página varias vezes, porque sempre ele estará lá, na sua cabeça, te desconcentrando. Quando você perceber, ele estará em tudo que você vê, nos livros que lê, nos filmes que assiste, nas músicas que ouve. 
Você saberá que o ama: não apenas por sua beleza hipnotizante, ou pela sua fala sedutora e meiga, que te acalma e te acelera ao mesmo tempo. Você o amará pelo o que ele é, e pelo o que não é. Você não vai entender, mas você não precisará entender: apenas sentirá. 
Você sentirá um quentinho no coração toda vez que falar com ele. Você sentirá uma carencia, uma saudade, uma abstinencia quando estiver longe dele. Você sentirá vontade dele, você sentirá muitas coisas, e a junção delas tem um nome: amor.
Ele pegará na sua mão, e te beijará na testa. Te dará um abraço apertado, e irá sempre se preocupar em dizer, e mostrar que te ama. Ele irá rir das suas manias que você considera loucas. Você irá tentar demonstrar que o ama de todas as formas: na fala, na música ou nas letras. Você irá perceber, um dia, que tudo aquilo que lia, que considerava improvável, mentira dos poetas, calunias dos cantores, ilusões de escritores, na verdade, existe. Existe, e é exatamente como diziam, e você não acreditava. Você achava que era exagero dos apaixonados, melodramas de poetas, mas na verdade, é tão doce, tão calmo, tão arrebatador, tão intenso como sempre diziam. E um dia, você sentirá o amor.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ana, teus lábios são labirintos

"Ana, teus lábios são labirintos. Ana, que atraem meus instintos mais sacanas". Esses versos de "Refrão de Bolero" fazem mais sentido quando eu estou com a boca selada nos seus lábios, quando a minha língua encosta na sua e tudo vira um labirinto: as línguas se enroscam, os lábios se selam, mão no cabelo, mão na cintura, mão nas costas, morde lábio, morde queixo, morde ali, beija aqui, beija a boca, abraça forte, suspira fraco e então, descanso na curva do teu pescoço. "Seu olhar sempre distante, sempre me engana". Esse verso faz sentido quando nós nos fitamos, e então, eu mergulho no lago castanho dos seus olhos tão profundos e intensos, tão cheios de luz. Nunca sei o que você esta pensando, mas dá para sentir, dá para ler nos seus olhos, que é um bom sentimento, uma boa sensação. Que é amor jorrando do seus olhos iluminados. O "Refrão de Bolero" não faz tanto sentido agora, que meu despertador está tocando e vibrando incansavelmente, e eu, sem querer acordar, afundo a cara no travesseiro. Mas logo a música volta a fazer sentido: Faz sentido no primeiro momento em que me vêm sua imagem na minha cabeça (alguns segundos logo depois de acordar), e junto com essa lembrança intensa, me vem rapidamente aquele seu cheiro delicioso, que se concentra na curva do seu pescoço, bem aonde eu pouso minha cabeça confusa e beijo delicado, bem aonde fica uma marca avermelhada no meio do mármore branco que é tua pele. Em seguida me levanto cansada, e prendo o meus cabelos em um coque no alto da cabeça. E então me lembro que você prefere meus cabelos soltos, para você poder passar a mão livremente. Caminho lentamente pelo corredor frio, e imagino você lá, me aquecendo com um único abraço, daquela forma protetora e reconfortadora que só voce sabe. Aquele abraço de quando nós nos vemos depois de tantos dias, tantas semanas, tanto tempo de saudades: você abre um sorriso aliviado, e corre  sutilmente em minha direção, com os braços abertos, um sorriso aberto e o coração aberto. Logo chego na cozinha, e ainda sonolenta, derrubo o leite na xícara branca cheia de corações. Sentada  na varanda, observando o dia que nasceu ensolarado, lembro de quando você me deu essa xicara, eu fiquei tão feliz... Você vem me dado as coisas que eu mais preciso para ser feliz: seu amor, seu carinho, e você. E então, em mais um dos meus devaneios, fitando o céu em vão, me pergunto "Por que tudo faz sentido quando incluo você? Por que eu sempre associo tudo á você? Por que tudo me lembra você?"  Talvez seja porque eu enxergo você em tudo, em todas as cores, músicas, palavras e textos. Talvez seja porque eu não te tenho sempre ao meu lado, e tento associar você á todos os objetos, cores, músicas e textos, para sentir sua presença em tudo que esta perto de mim. Talvez seja porque eu sou viciada em você. Talvez seja porque eu te amo... E me vem á cabeça, de novo, o refrão: "Ana, teus lábios são labirintos [...]"



domingo, 19 de junho de 2011

Surpresa

-Essa é sua terceira taça. - Eu dizia para mim mesma.
-Eu sei contar sozinha. -Respondi para mim mesma.
-Você tem que parar de beber. -Me auto-reprimi.
-Me deixa, cacete. -Reclamei comigo mesma.
Eu tinha que admitir que aquele vestido preto me deixou magra, isso é bom. Muito bom. Mas ainda sim, eu sentia aquela sensação na barriga, um frio, uma dor, uma ansiedade louca, torturante. Por mais bela que eu estivesse, ainda sim estava ansiosa por ele.
Já era minha terceira taça de vinho, e ainda assim não fez efeito. Estava tão ansiosa quanto antes de tomar aquelas taças.
Para ajudar a intensificar aquela dor no meu estomago, ele estava atrasado. Não apenas atrasado, mas estava quarenta minutos atrasado. 
Eu estava claramente atraente, depois de passar a tarde inteira com quilos de cremes no rosto, uma touca enorme no cabelo, e unhas vermelhas ao vento, teria de haver um resultado. 
E foi um resultado bom: Minha pele branca estava parecendo uma porcelana, e no espelho, pude ver no meu reflexo que o vermelho das minhas unhas combinavam com o vermelho que o batom havia espalhado em meus lábios. Estava linda, estava linda assim somente para ele, tive tanto trabalho somente para ele.
E finalmente ouvi -como sinos soando nos meus ouvidos- a busina do carro dele.
Meu primeiro impulso era correr desesperadamente até ele, entrar no carro, me jogar nos seus braços, explorar sua boca e sugar sua pele clara.
Senti minhas pernas querendo correr, mas então lembrei da taça em minha mão. Tomei mais um gole, e retomei minha postura. Com calma, pousei a taça avermelhada em cima da mesa cheia de papéis, papéis de rascunhos, poemas, textos, e todos com um mesmo titulo: ele.
Ao entrar no carro, estava com um grande sorriso estampando minha face, e ele estava tão neutro quanto uma folha de papel em branco. Em seguida, me curvei suavemente para selar nossos lábios, mas ele hesitou e se curvou para trás, e sem dizer uma só palavra, ele pisou no acelerador e seguiu caminho.
O trajeto todo estava quieto, estava tocando Beatles no rádio, e o único som que emitíamos era o da dublagem da música. Cada um cantando baixinho para si próprio, repetindo “Help me if you can”, e eu olhava em soslaio para ele, que fitava o transito sem mover um único músculo.
-Aonde iremos? -Quebrei o silêncio perturbador.
-Aonde você quer ir? - Perguntou ele, despreocupado.
-Uma pizzaria?
-Não quero pizza.
-Sushi?
-Não quero comer peixe.
-Assim fica difícil -havia uma ponta de irritação na minha voz- então não vamos para lugar nenhum.
-Calma, já sei aonde podemos ir.
-Aonde?
-Surpresa. 
E essa unica palavra, me deixou esperançosa. Aonde será que ele iria me levar no dia em que completaríamos um ano juntos? Não sei, mas apesar dessa frieza aparente, eu sabia que ele se lembraria que hoje era o nosso aniversario de namoro, de romance, de tanto dias, semanas, meses de felicidade. 
Mas essa fora a ultima palavra que ele tinha dito para mim até chegarmos até nosso destino, no caminho todo, ele apenas fitava as ruas escuras de São Paulo, e cantarolava baixinho e para si mesmo algumas músicas da rádio. 
Descemos do carro, e me deparei com o apartamento dele, um prédio grande de 30 andares pintados de verde escuro, com manchas escuras mostrando o mau-trato causado pelo tempo. Era isso? Ele não se lembrou do nosso aniversario de namoro? A surpresa dele era me trazer para seu apartamento? A frieza toda desta noite não resultou em droga nenhuma? 
Ele me pegou suavemente nas mãos, me levando até a portaria, e eu puxei bruscamente meu braço, e disse com a voz raivosa e um pouco alterada:
-Vou voltar para a casa, vou pegar um táxi, e não venha atrás de mim seu insensível. -E então enfiei a mão na pequena bolsa preta que eu havia trazido comigo, e fiquei satisfeita ao ver que tinha uma nota de vinte reais para pagar o táxi.
-Você está louca? - Ele me encarou perplexo.
Eu estava me virando para ir em direção ao ponto de táxi, mas parei, e encarei ele. Olhei ferozmente no fundo dos seus olhos castanhos, e perguntei com uma falsa calma:
-Você sabe que dia é hoje?
-Dia seis.
-Viu? Você não sabe nada de nós! Você não sabe nada de mim! Você nunca foi assim, mas agora você deu um ataque individualista, e está vivendo somente no seu mundinho. Continue assim, fique ai, sozinho, continue com sua frieza, até que seu coração vire um cubo de gelo e trinque, assim quem sabe você dá valor para quem te ama, para quem fica horas se arrumando para você, para quem fica contando os dias para te ver, para quem imagina seu futuro incluindo você nele, para quem sempre te amou, e só pediu uma coisa em troca: o seu amor. Quem sabe você dá valor para mim. - E então eu me virei, sacando os vinte reais da bolsa.
Senti a mão fria dele agarrando meu punho com uma certa força, e me virei quando ele disse: 
-Ainda não disse o que significa esse dia seis. 
Eu o encarei confusa, e esperei até que ele complementasse:
-Venha aqui, que eu te explico o que significa.
Eu assenti com a cabeça, sem soltar uma sílaba sequer. E então ele pegou suavemente minha mão, e me levou até o elevador. 
Quando entramos na cabine pequena, sequer olhei para os botões, para o espelho, ou para a porta enferrujada que soltava um ruído agonizante quando fechava: apenas fiquei encarando ele, com uma magoa, uma raiva, visível no olhar.
-Sabe... -Ele começou dizendo baixinho, cabisbaixo- eu não sei que dia especificamente é hoje. Sei que é dia seis, sei que hoje faz um ano que estamos juntos.
-Muito meigo da sua parte lembrar disto. -Eu disse ironicamente- Isso é tudo? Posso ir embora agora?
E então, com um ruído agonizante, a porta enferrujada do elevador se abriu, dando vista para o terraço, no topo do prédio. 
No terraço, era possível ver a cidade inteira, todas as suas luzes da noite e suas formas. No centro do terraço, perto de um baú dourado e um grande vaso de rosas vermelhas, havia uma pilha de roupas de cama, com quatro travesseiros, dois cobertores e alguns livros espalhados por alí. No terraço não havia nenhum tipo de iluminação, apenas algumas velas espalhadas pelo o chão, perto do baú. No centro, havia duas cadeiras, postas uma em frente á outra.
-Não meu amor, você não pode ir embora agora. -Então ele caminhou calmamente, sorrindo, até as cadeiras- sente-se aqui.
Eu, completamente confusa, me sentei em frente á ele.
-Hoje, -ele começou a dizer suavemente, levando sua mão fria até os meus cabelos negros - faz um ano que estou com a mulher que mais me faz feliz. Hoje faz um ano, que estou sendo feliz, amado e completamente apaixonado por você. Hoje faz um ano, que estou com a maior fã de beatles...
E então, ele foi interrompido por três amigos dele, que saíram do elevador enferrujado cantando Real Love, a nossa música, os dois primeiros estavam tocando violão, e fazendo uma especie de segunda voz, enquanto o outro, vinha cantando com vontade a música. E eles pararam do nosso lado, tocando nossa música, tocando minha música preferida, enquanto ele continuava me fitando com uma paixão transbordando do seu olhar castanho-penetrante, e ele pegou suavemente na minha mão, e me levou até o baú.
-Faz um ano, que estou com a mulher que é apaixonada por rosas vermelhas, -e ele pegou o grande vaso e me entregou com um sorriso abobado estampado na face.
-Hoje, -continuou ele- faz um ano que estou com a mulher que é totalmente admirada pela a vista da cidade, a maior amante da noite paulista, das luzes noturnas urbanas, - e ele pegou suavemente na minha cintura com o braço direito, e apontou o braço esquerdo de forma expansiva para a cidade, para a grande vista do terraço- faz um ano, que estou com a maior fã de Caio Fernando Abreu - E ele abriu o pequeno baú dourado, que tinha uma aparência velha e usada, quando ele abriu o baú, eu vi que havia lá dentro os melhores livros do Caio Fernando, os livros que eu havia querendo faz tanto tempo, e ele me entregou o baú nas mãos, junto á um beijo delicado.
Ele estendeu um cobertor no chão, e salpicou os travesseiros por cima. Sorriu para mim, e se sentou no  cobertor, e esticou a mão, convidando-me para me sentar junto a ele. Me sentei com o corpo grudado ao dele, de uma forma que parecia que nossa silhueta se encaixava perfeitamente, com as mãos acariciando minha face, e os olhos me fitando encantadoramente, ele me disse:
- Estou á um ano, junto com a mulher mais bela do mundo, seu exterior é belissímo, e seu interior, é extremamente apaixonante:  a mulher que tem uns desejos tão diferentes, uns sonhos tão peculiares, umas manias tão engraçadas. Uma mulher, que tem tantos sonhos, tantas vontades, e quero realizar todos que estiverem ao meu alcançe. Estou á um ano, com a mulher que sempre quis dormir sob a luz do luar, e do céu iluminado por estrelas, com vista para a cidade inteira.
E então, ele se deitou, puxou consigo o segundo cobertor, nos cobrindo, e pousou sua cabeça em um dos travesseiros. Eu deitei ao seu lado, encaixei minha cabeça na curva do seu pescoço. Ele sussurou "Eu te amo", e eu fechei os olhos, sorri apaixonada, e disse "Eu te amo". 
Dormimos com as estrelas nos cobrindo. 


Real love - The Beatles <a href="http://www.youtube.com/watch?v=R7twIF8PWic?hl=en"><img alt="Play" src="http://www.gtaero.net/ytmusic/play.png" style="border:0px;" /></a>

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Vontade.

Lembro do seu jeito de rir, lembro do seu sorriso estampando todos os seus dentes, lembro do jeito em que eu arrumava seu cabelo, ou lembro do gosto do seu beijo, tão intenso na lembrança dos meus lábios e da minha língua sedenta por ti. Lembro -como se fosse uma fotografia na minha mente- de quando eu pedi: “Amor, olha nos meus olhos”, você me olhou, e eu disse “eu te amo, sério”, você me olhou no fundo dos olhos, e eu mergulhei no abismo escuro e aconchegante do teu olhar, e você me disse com firmeza “eu te amo, sério”. Este momento, esse olhar, essa fala, ficou gravado na minha mente. E toda noite, antes de dormir, ou ao acordar, o em qualquer momento do dia, me vem de repente aquela imagem, aquele momento. Me vem teus olhos fitando os meus, e aquela tua boca rosada e sedutora dizendo “eu te amo, sério”, tua pele branca e quente colada na minha pele que era fria, até você aparecer e esquenta-la.
E quando você fica jogado em cima de mim, encaixando teu corpo em cima do meu, como se nossa silhueta tivesse a mesma forma, e nós completassemos fisicamente como um quebra-cabeça. Então você repousa tua cabeça confusa no meu ombro cheio de marcas dos teus beijos, e ficamos nos fitando, rindo, ou cada um fica em silencio, dizendo para si mesmo: “Como consegui encontrar alguém como você?”
Isso porque eu não comentei sobre teu cheiro. Na curva do pescoço, perto do ouvido, se concentra teu cheiro tão chamativo, convidativo. E quando sinto aquele cheiro, sinto aquela sensação…Como se chama mesmo? É uma mistura: Amor. Paixão. E vontade de me grudar em você, para poder beijar teus labios macios toda vez que eu quiser, para molhar meus labios todas as vezes que eles estiverem secos, para respirar o mesmo ar que o dos teus pulmões, para poder encher teu pescoço de marcas dos meus beijos, marca dos meus dentes, ou encher tuas costas de marcas, encher teu coração de marcas de amor. O mais puro, cristalino, e sincero amor, o amor que eu tenho por ti.
Vontade de ter você a todo momento, para me fazer rir enquanto você dança engraçado para mim, para poder te provocar sutilmente, para poder arrumar teu cabelo que eu tanto acaricio, puxo, beijo, arrumo. Para poder ficar horas passando a mão repetidamente no teu rosto, redesenhando o formato dos teus lábios, para poderemos rir de qualquer besteira, para poder apenas ter você do meu lado…
Vontade de extrair teu cheiro e coloca-lo em um frasco, como se fosse um perfume, vontade de ter teu cheiro, vontade de ter você, vontade de matar essa saudade que me mata, vontade de te abraçar apertado, tantas vontades, vontade de acabar com essas vontades.
Vontade de você.