segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ana, teus lábios são labirintos

"Ana, teus lábios são labirintos. Ana, que atraem meus instintos mais sacanas". Esses versos de "Refrão de Bolero" fazem mais sentido quando eu estou com a boca selada nos seus lábios, quando a minha língua encosta na sua e tudo vira um labirinto: as línguas se enroscam, os lábios se selam, mão no cabelo, mão na cintura, mão nas costas, morde lábio, morde queixo, morde ali, beija aqui, beija a boca, abraça forte, suspira fraco e então, descanso na curva do teu pescoço. "Seu olhar sempre distante, sempre me engana". Esse verso faz sentido quando nós nos fitamos, e então, eu mergulho no lago castanho dos seus olhos tão profundos e intensos, tão cheios de luz. Nunca sei o que você esta pensando, mas dá para sentir, dá para ler nos seus olhos, que é um bom sentimento, uma boa sensação. Que é amor jorrando do seus olhos iluminados. O "Refrão de Bolero" não faz tanto sentido agora, que meu despertador está tocando e vibrando incansavelmente, e eu, sem querer acordar, afundo a cara no travesseiro. Mas logo a música volta a fazer sentido: Faz sentido no primeiro momento em que me vêm sua imagem na minha cabeça (alguns segundos logo depois de acordar), e junto com essa lembrança intensa, me vem rapidamente aquele seu cheiro delicioso, que se concentra na curva do seu pescoço, bem aonde eu pouso minha cabeça confusa e beijo delicado, bem aonde fica uma marca avermelhada no meio do mármore branco que é tua pele. Em seguida me levanto cansada, e prendo o meus cabelos em um coque no alto da cabeça. E então me lembro que você prefere meus cabelos soltos, para você poder passar a mão livremente. Caminho lentamente pelo corredor frio, e imagino você lá, me aquecendo com um único abraço, daquela forma protetora e reconfortadora que só voce sabe. Aquele abraço de quando nós nos vemos depois de tantos dias, tantas semanas, tanto tempo de saudades: você abre um sorriso aliviado, e corre  sutilmente em minha direção, com os braços abertos, um sorriso aberto e o coração aberto. Logo chego na cozinha, e ainda sonolenta, derrubo o leite na xícara branca cheia de corações. Sentada  na varanda, observando o dia que nasceu ensolarado, lembro de quando você me deu essa xicara, eu fiquei tão feliz... Você vem me dado as coisas que eu mais preciso para ser feliz: seu amor, seu carinho, e você. E então, em mais um dos meus devaneios, fitando o céu em vão, me pergunto "Por que tudo faz sentido quando incluo você? Por que eu sempre associo tudo á você? Por que tudo me lembra você?"  Talvez seja porque eu enxergo você em tudo, em todas as cores, músicas, palavras e textos. Talvez seja porque eu não te tenho sempre ao meu lado, e tento associar você á todos os objetos, cores, músicas e textos, para sentir sua presença em tudo que esta perto de mim. Talvez seja porque eu sou viciada em você. Talvez seja porque eu te amo... E me vem á cabeça, de novo, o refrão: "Ana, teus lábios são labirintos [...]"



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