segunda-feira, 27 de junho de 2011

Saudades e observações.

 Hoje quando estava divagando em meus pensamentos, parei, e involuntariamente comecei á observar as pessoas tão vazias ao meu redor. Suas feições, seus traços, seus olhares. E procurava neles, em vão, somente um rosto. No meio daquela multidão, me sentia completamente sozinha e vazia sem você lá. Me sentia como se metade do meu ser estivesse longe, em outro lugar, em outra cidade, á quilômetros de mim.
Procurava em cada rosto, os seus traços.
Procurava ver no riso deles, o jeito que você fecha os olhos e expõe todos os seus dentes ao rir á vontade, e se deixa ser levado pela graça do momento. Por um quadrinho que viu, por uma bobeira que ouviu. O jeito embalante do seu riso, e o som chamativo.
Procurava em cada voz, tua fala mansa que me acalma, e que me dá paz. Procurava em cada voz, o efeito que tua voz causa em mim, a paixão que me acalma. É quase como uma música quando tu falas, e até tua respiração tem um ritmo delicioso de se ouvir. Fecharia os olhos, grudaria na tua pele quente e ficaria o dia inteiro ouvindo a música que sai da tua boca.
Continuo com a minha observação, e então, olho em soslaio para um casal à minha direita.
Estava frio, e era julho. 
Ele a abraçava e a tomava em teus braços, ela assentia com um sorriso reconfortado, e se protegia do frio dentro dos braços dele.
Aí senti um aperto no coração, senti uma saudade dolorida. Lembrei da tua pele quente esquentando o frio da minha pele. Lembrei do teu beijo manso, e a única coisa que eu queria era você.
Nem precisava estar me beijando, me abraçando, ou me tocando. A única coisa que eu queria naquele momento era te ver, era você.
Senti minha mão gelada. Minha mão tão pequena e gelada, precisando da tua mão quente e suada para se encaixar perfeitamente.
Em um todo, precisava somente de ti. Inteiro. Comigo. Já.
Foi então, relembrando tua pele macia, da tua voz cantando atrapalhado Adriana Calcanhotto, do teu jeito meigo de rir dos meus filmes infantis, foi então, que eu cansei de ficar me torturando de saudades, e de ser masoquista.
Peguei meu telefone e te liguei.
A saudade estava me causando uma abstinencia enorme, estava ansiando internamente por ti. Meia trêmula -de frio e abstinência- te liguei.
E ao ouvir tua voz manhosa de sono no outro lado da linha, senti um alívio instantâneo, um jorro de paz, e senti meu coração borbulhando de amor.
-Te acordei amor? -perguntei culpada.
-Acordou sim amor.- Que voz!
-Desculpe...Mas é que eu estou com muitas, muitas saudades mesmo!
Agora sim, me sentia melhor. Me sentia inteira. Me sentia contigo.

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