quinta-feira, 21 de julho de 2011

Couro






Menino, pare com esse sorriso nonsense, esse gesticular exagerado ao falar. Pare de me prender a cintura e morder minha nuca. Pare de dizer frases que tira de romances baratos cheio de promessas e palavras grandiloquentes. Aí me olhas e me derreto feito mel, toda doce esperando tu me saborear por inteira. Por metade. Nem saborear, ao menos me tocar. Beijar. Ou apenas sorri para mim com aquele ar rock n'roll que me deixa louca de curiosidade. Curioso seu jeito tão cheio de estilo. Quem és de verdade? Qual é a cor dos teus olhos debaixo desse pelo par de oculos escuros? O que sente o coração dentro do peito tampado por esse couro?
Ah, o couro. Tens um cheiro de couro, que só de passar ao meu lado já deixa tua marca. Esse couro bom, misturado com seu cheiro de homem, de barba mal-feita, que me arranha, desaranha, anha, aranha, manha, cama, trama, drama. Te espero, mas não me chama…
Me desaruma, me deixa maluca. Diz coisas sem sentido, quando perco meu teto, cochicha quentinho no meu ouvido: “Quem perde o teto ganha as estrelas”. Que, mané estrelas?! Com teu gosto tão perto do meu rosto, com esse arrepio que sua voz sedutora me causa, tu achas que estou me importando com as estrelas? Contanto que tenha você, sei que posso ver estrelas até na claridade do dia.
Mesmo que eu não diga com todo esse seu estilo nosense, com um cigarro nas mãos e um sorriso nos lábios, tento, de qualquer forma, te ter para mim.
Nem me venha dizer que teu couro é concorrido, que teus lábios conhecem os mais loucos venenos e que tu não sabes ser de alguém, não sabe nem pertencer á ti proprio. Nem me venha com esse papo i don’t care cheio de estilo e bebidas. Nem me venha vestido de couro. Porque eu sei, muito bem, que por debaixo de todo esse i don’t care, você só precisa se encontrar. De alguém que te ajude á te encontrar. Eu te ajudarei. E depois que se encontrar, eu irei te encontrar. Aí tirarei teu couro e irei ver a sua verdadeira pele clara que sempre escondia.



segunda-feira, 18 de julho de 2011

Bonito


Bonito era o jeito que eles conversavam. Bonito era quando algo dava errado e eles diziam “Daqui cinco anos iremos estar rindo dessa situação”. Bonito era o jeito inocente que eles viam o futuro. Bonito era o jeito que ele á fazia rir sem parar. Bonito era o jeito que eles escreviam cartas um para o outro. Bonito era o jeito que ele fazia cócegas e ela gritava para ele parar, rindo. Bonito foi o primeiro beijo deles. Bonito era quando ela o enchia de textos. Bonito era quando ele a enchia de músicas. Bonito era quando eles cantavam juntos, no telefone, no meio da multidão, no cinema, em qualquer lugar. Bonito era a marca de sorvete que ela fez no rosto dele. Bonito era o abraço deles. Bonito era quando ela chorava de amor e ele chorava de felicidade. Bonito era quando ele beijava a testa dela. Bonito era quando os dois passavam as madrugadas contando segredos, confidentes. Bonito era quando ele sentia ciúmes. Bonito era quando ela escrevia textos inspirados somente nele. Bonito era a suavidade do seus beijos. Bonito era quando eles jogavam o “jogo do sério” e ele sempre a fazia perder, ele a fazia rir misteriosamente. Bonito era quando o cheiro de um grudava na roupa do outro. Bonito era quando o gosto da boca de uma se hospedava na boca do outro. Bonito era quando ela lhe ensinava palavras novas. Bonito era quando ele a fazia gostar de outras músicas. Bonito era a forma que ela colocava poesia em qualquer momento, e sempre tinha uma frase do Caio Fernando Abreu para descrever o momento. Bonito era quando ele a beijava de ímpeto. Bonito era a letra dele. Bonito era quando ele a provocava. Bonito era quando ele sempre caia nas provocações dela. Bonito era a bagunça que eles faziam comendo açaí. Bonito era a forma que ele indagava: “Como você me aguenta? Tão grudento, passo o dia em cima de você, não te solto por nada!” e ela pensava consigo: “Não solte por nada.”. Bonito era quando ele sonhava com ela -ás vezes-. Bonito era quando ela sonhava com ele -frequente-. Bonito era quando eles tinham momentos de nostalgia. Bonito era ela cantando músicas infantis e ele rindo encantado. Bonito era quando eles faziam boca de peixinho e se beijavam. Bonito eram as promessas de eternidade. Bonito era a preocupação enorme que um tinha sobre o outro. Bonito foram os encontros, do primeiro até o ultimo. Bonito era quando ela lia seus textos para ele. Bonito era quando ele cantava suas canções para ela. Bonito foi quando ela chorou ao ler a música que ele fizera para ela. Bonito foi quando ele chorou quando ela leu o texto que fizera para ele. Bonito era as lágrimas doces que um provocava no outro. Bonito eram os sorrisos que um esboçava no outro. Bonito era a amizade, confiança e fidelidade dentro do amor.
Fisicamente, ele era bonito, sua pele clara contrastava com seus cachos negros e sua boca vermelha. Ele a achava bonita. Eles eram bonitos, enfim.
Mas bonito mesmo, era o amor dos dois. Não havia beleza maior do que o olhar de admiração em que os dois se olhavam. A verdadeira beleza, não se vê com os olhos, mas se vê, se sente com o coração.

domingo, 17 de julho de 2011

Tal do "Amor"


Amor? Mas enfim, o que é esse amor? Esse amor que encontro em todos os cantos, todas as músicas, todos os livros, todos poemas, todas as bocas. “Amor é aquilo que te faz sentir frio na barriga”, “amor é se sentir nas nuvens” e ao passar do tempo, de tantas frases e textos formulados, prontos e embrulhados, acabamos sem saber o que realmente é amor. Só conhecemos o clichê melo-romantico.
Lá estava eu, uma menininha apaixonada perdida dentre palavras, textos, prosas e poesias cheias de “amor”, “amor”, “amor”. Mas o que é, raios, esse tal de “amor”? Como posso distinguir o que sinto, como posso saber se é isto o que sinto, se não sei o que é amor. 
Procurei manual de instrução, tentei ler bula, passei dias nas bibliotecas, ouvi todos os velhos vinis, mas nada de escreverem, cantarem, explicarem, certamente, o que é amor.
Como eu poderia saber que estava sentindo “amor”? Como poderia dizer convicta á ele “Eu te amo”, se sequer, sabia o que era “amor”?
Eu sentia uma coisa bonita por ele, não sabia descrever o que era. Uns diziam ser paixão, outros deduziam ser amor… Eu só sabia que era bonito, desejável, uma paz, uma felicidade. Tudo nele me encantava: Sua forma de rir, seu queixo áspero, sua boca vermelha como cerejas no verão, seu canto suave como o canto de pássaros no despertar, seu toque que me arrepiava como uma corrente elétrica de querer, seu cabelo cacheado cheio de caracóis macios, onde eu insistia em passar o dia fazendo cafuné, o contorno do seu rosto e a forma em que ele delineava minha boca com seus dedos longos e magros. Dedos conjuntos de uma mão maior que a minha, que apertava minha cintura enquanto contava segredos de liquidificador na minha orelha que sempre era enfeitada com brincos de perolas. 
Sentia essa coisa bonita, e sem nome especifico, decidi chamar de “amor”.
Até que um dia, estávamos frente á frente, corpo com corpo, boca com boca. Interrompi o beijo suave que seus lábios sedentos me presenteavam, olhei fixamente em seu olhar meigo contornado por grandes cílios -o que firmava sua meiguice- e disse “quero te dizer algo”. Ele assentiu.
Tirei da minha bolsa florida, um pequeno papel de rascunho, uma folha rasgada e mal caprichosa, mas cheia de verdades. Começei á ler, e parava em cada vírgula para olha-lo:
“Pode ser que daqui alguns anos, não estejamos juntos. Pode ser que daqui um longo tempo, nossos planos de eternidade mudem. Mas quero que saiba, que vou lutar a cada segundo por ti e pelo o teu amor. Quero que saiba, que nunca ninguem me fez tão feliz, tão completa quanto você; Ninguem nunca havia me transformado em música e nunca havia sido cantada por uma voz tão deliciosa quanto a sua. Ninguem nunca havia me olhado com tanto amor, tanta compaixão no olhar quanto você, ao dizer…”.
Antes que eu pudesse completar o texto, ele me olhou no fundo dos olhos, dentro de mim, dentro do meu coração, e dissemos juntos “eu te amo”. 
Sem hesitar, nos beijamos com tanta precisão, com tanta intensidade, mas junto havia uma suavidade. O olhei com um sorriso esboçado no meu rosto encantado, e vi então, que dos seus olhos caíam lágrimas doces, lagrimas de felicidade, lagrimas de amor. Olhei no fundo do seus olhos meigos e úmidos, e li no seu olhar, vi no fundo dos seus olhos, a explicação do que é amor. O tal do amor, é algo indescritível, por isso ninguém nunca ousou explicar com precisão ou detalhadamente. Amor é algo tão imenso, que não existe nenhum palavra capaz de descrever, explicar. Amor é algo tão sagrado, que seria um pecado explicar. 
Quando vi aquelas lágrimas doces, senti uma coisa indescritivel, devia ser o tal amor. Senti um amor tão grande, senti o tal amor percorrendo meu corpo, o tomando nos meus braços, e então, o abraçei forte, intenso, o abraçei com amor.
Concluí: Diferentemente do que pensam, o amor não está em grandes gestos. Mas sim, o grande amor está em simples gestos. É numa troca de olhares, de saliva, de palavras, que descobrimos o que é amor. Só descobrimos finalmente, o que é amor, quando amamos. 

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Relato do Primeiro Beijo


Ela não sabia o que ele iria fazer. Ela estava nervosa. Ele estava nervoso. Se olharam. Riram. Se fitaram em soslaio. 
Estava frio e era meu primeiro encontro. Eu estava nervoso. Estava a esperando á muito tempo. Sentado naquela mesa na area de alimentação do shopping, estava realmente pensando o que fazer se meu cabelo começasse á cheirar á hamburger.
Depois de uma hora, a vejo sorrindo em minha direção. Por que ela está sorrindo? Por que ela não está nervosa? Só sou eu que estou com essas malditas “borboletas no estomago”? Por que eu estou tão nervoso? Ela está se aproximando. O que eu faço? Sorrio? A beijo? A abraço? 
E involuntariamente corri em sua direção e a abraçei. Pousei o rosto em meio ao seu cabelo que cheirava á manga recém-colhida, e sorri, calmo por um milessímo de segundo, por a ter em meus braços.
Sorri. Ela sorriu. Silêncio. O que faço?
Sentamos de novo na mesa da área de alimentação, e começamos a conversar.
Ela sorria muito. Do que ela sorria tanto? Por que ela sorria tanto? Ela ria? Ria de mim? Ria de quê? 
E, sutilmente, antes que eu pudesse perceber, ela pousou sua mão gelada na minha, e enroscou seus dedos nos meus. Ela sorriu (novamente) e disse em tom de riso “Como sua mão sua!” 
Lógico que ela estava suando, alias, como poderia a sua mão não estar suando? Estava ansioso, nervoso, sem saber o que fazer, o que falar, do que rir, e como consequencia, minha mão estava suando.
Sem soltar da minha mão suada, ela se levantou e me convidou para ir ao cinema. Fomos.
Ao entrar na sala escura, podia ver devidamente sua silhueta procurando uma poltrona. Ela ria descompromissada, sorria a todo o momento, por qualquer motivo. 
- Que tal aqui? - ela sorriu, é claro.
Sentamos em meio àquela escuridão confortavel. 
Eu queria fazer algo, eu queria tampar aquele sorriso com a minha boca, eu queria beija-la. Queria saber se seus lábios eram tão gelados quanto suas mãos. Queria saber se sua boca tinha gosto de manga, igual ao cheiro dos seus cabelos. Mas eu não saberia o que fazer. 
De repente a grande tela se iluminou á nossa frente, e o filme começou a rodar.
Uma comédia-romântica legendada. Se não fosse pela parte legendada, seria muito clichê.
Na primeira parte de comédia, ela riu. Eu ri. Eu não ri somente pelo filme. Ri de nervosismo, ri meio engasgado.
Depois de várias tentativas falhas, comecei a assistir o filme. Sem perceber, ela veio com ímpeto ao meu pescoço e beijou suavemente. Seu lábios gelados começaram a subir todo meu pescoço com delicados -e quase intocavéis- beijos. Senti um tremor percorrer meu corpo, uma bomba de adrenalina foi jogada no meu corpo e as borboletas voltaram á voar ferozmente no meu estomago. Não sabia o que fazer, apenas assenti e senti seus lábios gelados na minha pele quente. 
Percorreu seus lábios no meu pescoço, e parou no meu ouvido. Sussurrou algo que eu não entendi, e continuou o trajeto de beijos até a minha boca. 
Ao selar teus lábios com os meus, ela colocou tua língua dentro da minha boca e começou á mexe-la. Eu não sabia o que fazer, aonde botar a língua, aonde colocar a mão. Ela colocou a mão na minha nuca. Colocou a língua na minha. Aonde eu botava a mão? Na tua cintura? No seu cabelo? No seu rosto? Na perna? Como a beijaria certo? Virava a cabeça? Tocava aonde? O que fazia com a língua? A mexia para o norte, sul, leste ou oeste? Aquele beijo parecia um código. Tantas informações de uma vez só, misturada a aquela adrenalina, medo, insegurança, nervosismo. Por que eu estou pensando tanto? Tenho que parar de pensar e simplesmente a beijar. Menina, por que tu tem que beijar tão complicado? Me diga garota, por que tua língua tem que se mexer tanto?
Ela parou de me beijar, e sorriu. Olhou para mim e soltou uma risada relaxante. Por que ela riu? Será que não gostou? Por que? Será que fiz algo errado?
- Desculpa, não sou muito bom nisso. - Eu disse desconcertado.
- Que isso! - Ela soltou outra de suas risadas despreocupadas- Você aprende!
Então ela continuou me ensinando mais. Continuamos nos beijando. Eu era atrapalhado e ela gostava disso. Ela tinha códigos e eu gostava disso.