sexta-feira, 1 de julho de 2011

Relato do Primeiro Beijo


Ela não sabia o que ele iria fazer. Ela estava nervosa. Ele estava nervoso. Se olharam. Riram. Se fitaram em soslaio. 
Estava frio e era meu primeiro encontro. Eu estava nervoso. Estava a esperando á muito tempo. Sentado naquela mesa na area de alimentação do shopping, estava realmente pensando o que fazer se meu cabelo começasse á cheirar á hamburger.
Depois de uma hora, a vejo sorrindo em minha direção. Por que ela está sorrindo? Por que ela não está nervosa? Só sou eu que estou com essas malditas “borboletas no estomago”? Por que eu estou tão nervoso? Ela está se aproximando. O que eu faço? Sorrio? A beijo? A abraço? 
E involuntariamente corri em sua direção e a abraçei. Pousei o rosto em meio ao seu cabelo que cheirava á manga recém-colhida, e sorri, calmo por um milessímo de segundo, por a ter em meus braços.
Sorri. Ela sorriu. Silêncio. O que faço?
Sentamos de novo na mesa da área de alimentação, e começamos a conversar.
Ela sorria muito. Do que ela sorria tanto? Por que ela sorria tanto? Ela ria? Ria de mim? Ria de quê? 
E, sutilmente, antes que eu pudesse perceber, ela pousou sua mão gelada na minha, e enroscou seus dedos nos meus. Ela sorriu (novamente) e disse em tom de riso “Como sua mão sua!” 
Lógico que ela estava suando, alias, como poderia a sua mão não estar suando? Estava ansioso, nervoso, sem saber o que fazer, o que falar, do que rir, e como consequencia, minha mão estava suando.
Sem soltar da minha mão suada, ela se levantou e me convidou para ir ao cinema. Fomos.
Ao entrar na sala escura, podia ver devidamente sua silhueta procurando uma poltrona. Ela ria descompromissada, sorria a todo o momento, por qualquer motivo. 
- Que tal aqui? - ela sorriu, é claro.
Sentamos em meio àquela escuridão confortavel. 
Eu queria fazer algo, eu queria tampar aquele sorriso com a minha boca, eu queria beija-la. Queria saber se seus lábios eram tão gelados quanto suas mãos. Queria saber se sua boca tinha gosto de manga, igual ao cheiro dos seus cabelos. Mas eu não saberia o que fazer. 
De repente a grande tela se iluminou á nossa frente, e o filme começou a rodar.
Uma comédia-romântica legendada. Se não fosse pela parte legendada, seria muito clichê.
Na primeira parte de comédia, ela riu. Eu ri. Eu não ri somente pelo filme. Ri de nervosismo, ri meio engasgado.
Depois de várias tentativas falhas, comecei a assistir o filme. Sem perceber, ela veio com ímpeto ao meu pescoço e beijou suavemente. Seu lábios gelados começaram a subir todo meu pescoço com delicados -e quase intocavéis- beijos. Senti um tremor percorrer meu corpo, uma bomba de adrenalina foi jogada no meu corpo e as borboletas voltaram á voar ferozmente no meu estomago. Não sabia o que fazer, apenas assenti e senti seus lábios gelados na minha pele quente. 
Percorreu seus lábios no meu pescoço, e parou no meu ouvido. Sussurrou algo que eu não entendi, e continuou o trajeto de beijos até a minha boca. 
Ao selar teus lábios com os meus, ela colocou tua língua dentro da minha boca e começou á mexe-la. Eu não sabia o que fazer, aonde botar a língua, aonde colocar a mão. Ela colocou a mão na minha nuca. Colocou a língua na minha. Aonde eu botava a mão? Na tua cintura? No seu cabelo? No seu rosto? Na perna? Como a beijaria certo? Virava a cabeça? Tocava aonde? O que fazia com a língua? A mexia para o norte, sul, leste ou oeste? Aquele beijo parecia um código. Tantas informações de uma vez só, misturada a aquela adrenalina, medo, insegurança, nervosismo. Por que eu estou pensando tanto? Tenho que parar de pensar e simplesmente a beijar. Menina, por que tu tem que beijar tão complicado? Me diga garota, por que tua língua tem que se mexer tanto?
Ela parou de me beijar, e sorriu. Olhou para mim e soltou uma risada relaxante. Por que ela riu? Será que não gostou? Por que? Será que fiz algo errado?
- Desculpa, não sou muito bom nisso. - Eu disse desconcertado.
- Que isso! - Ela soltou outra de suas risadas despreocupadas- Você aprende!
Então ela continuou me ensinando mais. Continuamos nos beijando. Eu era atrapalhado e ela gostava disso. Ela tinha códigos e eu gostava disso.

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