domingo, 17 de julho de 2011

Tal do "Amor"


Amor? Mas enfim, o que é esse amor? Esse amor que encontro em todos os cantos, todas as músicas, todos os livros, todos poemas, todas as bocas. “Amor é aquilo que te faz sentir frio na barriga”, “amor é se sentir nas nuvens” e ao passar do tempo, de tantas frases e textos formulados, prontos e embrulhados, acabamos sem saber o que realmente é amor. Só conhecemos o clichê melo-romantico.
Lá estava eu, uma menininha apaixonada perdida dentre palavras, textos, prosas e poesias cheias de “amor”, “amor”, “amor”. Mas o que é, raios, esse tal de “amor”? Como posso distinguir o que sinto, como posso saber se é isto o que sinto, se não sei o que é amor. 
Procurei manual de instrução, tentei ler bula, passei dias nas bibliotecas, ouvi todos os velhos vinis, mas nada de escreverem, cantarem, explicarem, certamente, o que é amor.
Como eu poderia saber que estava sentindo “amor”? Como poderia dizer convicta á ele “Eu te amo”, se sequer, sabia o que era “amor”?
Eu sentia uma coisa bonita por ele, não sabia descrever o que era. Uns diziam ser paixão, outros deduziam ser amor… Eu só sabia que era bonito, desejável, uma paz, uma felicidade. Tudo nele me encantava: Sua forma de rir, seu queixo áspero, sua boca vermelha como cerejas no verão, seu canto suave como o canto de pássaros no despertar, seu toque que me arrepiava como uma corrente elétrica de querer, seu cabelo cacheado cheio de caracóis macios, onde eu insistia em passar o dia fazendo cafuné, o contorno do seu rosto e a forma em que ele delineava minha boca com seus dedos longos e magros. Dedos conjuntos de uma mão maior que a minha, que apertava minha cintura enquanto contava segredos de liquidificador na minha orelha que sempre era enfeitada com brincos de perolas. 
Sentia essa coisa bonita, e sem nome especifico, decidi chamar de “amor”.
Até que um dia, estávamos frente á frente, corpo com corpo, boca com boca. Interrompi o beijo suave que seus lábios sedentos me presenteavam, olhei fixamente em seu olhar meigo contornado por grandes cílios -o que firmava sua meiguice- e disse “quero te dizer algo”. Ele assentiu.
Tirei da minha bolsa florida, um pequeno papel de rascunho, uma folha rasgada e mal caprichosa, mas cheia de verdades. Começei á ler, e parava em cada vírgula para olha-lo:
“Pode ser que daqui alguns anos, não estejamos juntos. Pode ser que daqui um longo tempo, nossos planos de eternidade mudem. Mas quero que saiba, que vou lutar a cada segundo por ti e pelo o teu amor. Quero que saiba, que nunca ninguem me fez tão feliz, tão completa quanto você; Ninguem nunca havia me transformado em música e nunca havia sido cantada por uma voz tão deliciosa quanto a sua. Ninguem nunca havia me olhado com tanto amor, tanta compaixão no olhar quanto você, ao dizer…”.
Antes que eu pudesse completar o texto, ele me olhou no fundo dos olhos, dentro de mim, dentro do meu coração, e dissemos juntos “eu te amo”. 
Sem hesitar, nos beijamos com tanta precisão, com tanta intensidade, mas junto havia uma suavidade. O olhei com um sorriso esboçado no meu rosto encantado, e vi então, que dos seus olhos caíam lágrimas doces, lagrimas de felicidade, lagrimas de amor. Olhei no fundo do seus olhos meigos e úmidos, e li no seu olhar, vi no fundo dos seus olhos, a explicação do que é amor. O tal do amor, é algo indescritível, por isso ninguém nunca ousou explicar com precisão ou detalhadamente. Amor é algo tão imenso, que não existe nenhum palavra capaz de descrever, explicar. Amor é algo tão sagrado, que seria um pecado explicar. 
Quando vi aquelas lágrimas doces, senti uma coisa indescritivel, devia ser o tal amor. Senti um amor tão grande, senti o tal amor percorrendo meu corpo, o tomando nos meus braços, e então, o abraçei forte, intenso, o abraçei com amor.
Concluí: Diferentemente do que pensam, o amor não está em grandes gestos. Mas sim, o grande amor está em simples gestos. É numa troca de olhares, de saliva, de palavras, que descobrimos o que é amor. Só descobrimos finalmente, o que é amor, quando amamos. 

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