quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Casulo


-Tá frio, sente-se mais perto. -Ela disse com um gesto de chamada á ele.
-Assim está bom? - Ele sentou-se na cama, do lado dela.
-João, na infancia, você brincava de casulo? -Ela disse envolvida no cobertor laranja.
-Casulo? - Sua face se tornou um claro ponto de interrogação.
-Me abraçe. - Clara disse com a voz fraca, e a cabeça baixa.
Sem hesitar, João subiu calmamente na cama, e ao chegar perto dela, sorriu. O cheiro que seu corpo exalava era um atrativo, uma tentação irresistível para ele. Clara continuou com o olhar baixo, encarando o chão, e olhando em soslaio o sorriso satisfeito de João. Ele a abraçou de mansinho, mas milimetricamente afastado dela. Ela abriu os braços -para o susto dele- e o envolveu num abraço muito maior, muito mais apertado, e enrolou o cobertor entre os dois.
-Eis o casulo. -Disse João com um ar de pensador.
-Quem sabe, quando eu te soltar, você vire uma bela borboleta. 
-Prefiro ser uma larva pelo resto da vida, do que te tirar dos meus braços. - Não soou sedutor, mas sincero.

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