segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Leitura dos olhos.





Quando ela segura a taça de vinho sorrindo á toa, e olha involuntariamente para mim, vejo algo a mais naqueles olhos escuros. Aqueles olhos tão fundos e misteriosos, como aquela parte do oceano onde afundou o Titanic. Quantos segredos aqueles fundo oceano negro guarda? 
E é involuntariamente que vejo seus olhos gritando o que sua boca -sempre cor de vinho tinto- nunca tem coragem de dizer, mas aquele seu pequeno coração sempre grita para seu interior. Grita alto, profundo, grita até a garganta sangrar, mas mesmo assim, sua boca nunca consegue pronunciar. 
Mas aqueles olhos negros diz claramente o que quer. Quando aqueles olhos sempre me olhando em soslaio se cruza com meu curioso olhar, vejo uma umidade tornando aquele oceano negro um verdadeiro oceano.
Ela diz coisas engraçadas, como se fosse a maior piadista da cidade. Dança nos bares e chama todos os rapazes para lhe acompanhar numa dança agitada, ou lenta. Enfim, nem imaginam que ao inves de se jogar na pista de dança, ela se joga no sofá, afunda sua face numa das camisetas que eu deixei em sua casa, e relembra -amargamente- o meu cheiro - que ela sempre gostara, e sentia saudades-. 
Quem a vê sempre cozinhando para suas visitas, massas, doces, salgados, sempre com o avental sujo e um sorriso esboçado no rosto, nem imagina que seu jantar é enlatados e sempre encomendados. Quem a vê sempre descobrindo e desenvolvendo novas receitas, nem imagina nossos sabados á noite. Jantares trazidos por motoristas e produzidos após uma ligação. Não perdíamos tempo cozinhando, usamos esse tempo pra nos degustar, nos devorar. A cozinha ficava em segundo plano (ou como cenário, dependendo da situação).
Quem a vê sempre sorrindo com sua boca cor de vinho tinto, não lê seus olhos, que quando cruza com o meu, grita coisas que só o coração pode ouvir.

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