sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Pulmão


Ele estava sentado no banco branco em baixo das laranjeiras do parque da cidade, sem hesitar, ao ver mais um daqueles mapas de mortes, ao ler o jornal, ele acendeu um cigarro e o levou até a sua boca ressecada.
Ela chegou de mansinho, quieta e vestida de preto, sentou-se ao seu lado. Cochichou com seu halito quente na orelha fria dele:
-Me trague como um desses seus cigarros, quando fechas os olhos de prazer ao sentir a fumaça escurecer teu pulmão. Deixe eu ser seu vicio mortal. Me tenha, me use, enlouqueça e morra. Devagar. Titubeando. Morra me sentindo dentro do seu pulmão.
Ela sempre tinha as ideias mais loucas. Mas as mais prazerosas. (…)

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