segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O tempo passou rapido...


Eu sei que a vida é difícil e nós crescemos rápido. Ontem eu estava fazendo um piquinique com minhas bonecas e você estava correndo pela casa. Hoje o futuro nos puxa com uma força excessiva, como uma forte corrente de ar nos levando pr’outro lado da vida. Eu sei que assusta e que surpreende. Eu vejo nos seus olhinhos cor-de-mel as dúvidas e vejo suas longas sobrancelhas escuras se curvando pensando em soluções, vejo sua boca ligeiramente inchada no lábio inferior falando com os adultos, falando com as pessoas desconhecidas, pessoas d’outro mundo, d’outro lado da vida que quando você corria pequeno pela sua casa ou se pendurava no armário nem imaginava que teria que falar com elas, nem imaginava que precisaria de alguém alem dos seus pais para conseguir algo na vida. O tempo está correndo e você não pode mais passar as tardes admirando o John Lennon, nem passar o dia decifrando as letras do Renato Russo. O tempo correu e você não é mais aquele garotinho admirando o violão do irmão. Hoje você toca Rock 'N Roll e Blues, canta músicas que nunca imaginou que conseguiria memorizar. Hoje você bate rápido nas cordas do violão fazendo música, não é mais o garotinho fazendo apenas fazendo som no violão, escondido.
Eu sei que a vida está assustadora e as pessoas estranhas, eu sei que você está assustado mas eu sei que você é um rapaz corajoso. Deposito em ti uma confiança que nunca depositei em alguém a não ser em mim. Confio que conseguirá passar por tudo que te assusta. Além de todo este medo que vejo no seu rosto de menino com estes pelos de homem salpicados pelas bochechas, eu vejo no invisível, dentro da sua pele, músculos, ossos e órgãos, dentro de você consigo ver uma coragem enorme, e vejo determinação, vejo uma força de vontade enorme, tão grande que quase é palpável. Consigo enxergar dentro de você, quem realmente é. Sei que dizem muito de você, e te julgam pelo o que você parece e não pelo o que você é. Mas amor, lembre-se que não são todos que tem olhos no coração, e somente os olhos do coração conseguem enxergar dentro da pessoa, dentro da alma, dentro do ser. Lembre-se: quem te julga incapaz, tem olhos na face, entre o nariz. E não no coração, do lado esquerdo do peito.
Mas quem te olha pelo coração, enxerga você por trás desse sorriso aconchegante e das besteiras nas falas. Enxerga seu amor imenso, a fidelidade por quem te cerca, enxerga sua sensibilidade e enxerga um preguiçoso mestre, mas que com um empurrãozinho toma jeito, enxerga um rapaz que tenta botar um sorriso na face alheia, e prefere ficar infeliz quieto do que deixar outra pessoa triste. Um menino tão valioso e dificil de encontrar, o garoto que eu agradeço por ter.
Meu amor, sei que a vida anda difícil e que você só quer crescer mesmo assustado com o tempo, que passou tão rápido. Sei que é triste ser subestimado ou duvidarem. Mas meu menino que está virando homem, esta é a metamorfose da vida e você precisa provar para os céticos que está preparado para sair do casulo e aprender a voar com suas próprias asas. Prove para eles como provou sua força de vontade, e continue com esta determinação que eu encho a boca para elogiar. Sei que está difícil, mas você tem a mim e temos nosso amor enorme. Se for difícil aprender a voar é só segurar na minha mão que te ajudarei a bater as asas. E continuaremos de mãos dadas até podermos voarmos juntos.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Janis

 Eu tinha mudado. Deixei meus cabelos longos e cacheados, alguns dias sem pentear acabavam tendo comentarios como "Deu uma de Janis?". Eu ria. Deixava o vento passar entre eles e bagunça-los ainda mais, me deliciava com os comentarios; eu, Janis? 
Tinha mudado mesmo, passei a rir sem motivos. Ai eles diziam: "Garota, o que há?" no começo eles ficavam com uma interrogação, mas acabavam rindo comigo. Ele sempre me dissera que meu riso era embalante. E não é que é mesmo?
Ele? Ah sim... Foi numa festa chata, uma coisa meio hippie, meio natureba, no meio do mato e todos se vestiam como se viessem dos anos setenta. Eu me sentia a Janis com meus cabelos revoltos e aquela roupa larga, aquele colar enorme enfeitando desde da minha nuca até meus seios.  
Todos batiam um papo descontraído, mas eles tinham um lance cool, eu não sabia como me meter no meio daquele pessoal descolado, e ficava apenas observando, sorrindo em vão. 
Aí ele chegou. Não tinha nada de hippie nem descolado, vestia um jeans rasgado e uma camisa cheia de desenhos abstratos, não sabia o que ele fazia ali, talvez fosse fotografo, estava com uma camera na mão, ele me disse sorrindo: "Ei garota, sabia que você é a cara da Janis, sabe aquela, que cantava sobre aquele carro lá, esqueci o nome, seria uma BMW? não não..." Eu ri, e o interrompi: "Mercedes Benz" "Isso garota, você manja mesmo hein!" Eu sorri e continuei sentada, observando aquela galera cool, e ele sentou-se ao meu lado e fez o mesmo. A observação durou longos minutos até que ele disse: "Janinha, cara, me sinto um peixe fora d'agua" "E eu!" comentei, ele olhou-me penetrante e disse: "Mas, que tal sairmos daqui na minha Mercedes Benz? Seria muito louco sair com a Janis Joplin". E eu aceitei, não tinha soado como uma cantada barata ou uma insinuação, fora mesmo algo sem más intenções. "Mas... Não é uma Mercedes Benz de verdade" Ele confessou rindo, e eu ri junto e disse "Tudo bem, eu não sou a Janis Joplin de verdade".