domingo, 1 de janeiro de 2012

Janis

 Eu tinha mudado. Deixei meus cabelos longos e cacheados, alguns dias sem pentear acabavam tendo comentarios como "Deu uma de Janis?". Eu ria. Deixava o vento passar entre eles e bagunça-los ainda mais, me deliciava com os comentarios; eu, Janis? 
Tinha mudado mesmo, passei a rir sem motivos. Ai eles diziam: "Garota, o que há?" no começo eles ficavam com uma interrogação, mas acabavam rindo comigo. Ele sempre me dissera que meu riso era embalante. E não é que é mesmo?
Ele? Ah sim... Foi numa festa chata, uma coisa meio hippie, meio natureba, no meio do mato e todos se vestiam como se viessem dos anos setenta. Eu me sentia a Janis com meus cabelos revoltos e aquela roupa larga, aquele colar enorme enfeitando desde da minha nuca até meus seios.  
Todos batiam um papo descontraído, mas eles tinham um lance cool, eu não sabia como me meter no meio daquele pessoal descolado, e ficava apenas observando, sorrindo em vão. 
Aí ele chegou. Não tinha nada de hippie nem descolado, vestia um jeans rasgado e uma camisa cheia de desenhos abstratos, não sabia o que ele fazia ali, talvez fosse fotografo, estava com uma camera na mão, ele me disse sorrindo: "Ei garota, sabia que você é a cara da Janis, sabe aquela, que cantava sobre aquele carro lá, esqueci o nome, seria uma BMW? não não..." Eu ri, e o interrompi: "Mercedes Benz" "Isso garota, você manja mesmo hein!" Eu sorri e continuei sentada, observando aquela galera cool, e ele sentou-se ao meu lado e fez o mesmo. A observação durou longos minutos até que ele disse: "Janinha, cara, me sinto um peixe fora d'agua" "E eu!" comentei, ele olhou-me penetrante e disse: "Mas, que tal sairmos daqui na minha Mercedes Benz? Seria muito louco sair com a Janis Joplin". E eu aceitei, não tinha soado como uma cantada barata ou uma insinuação, fora mesmo algo sem más intenções. "Mas... Não é uma Mercedes Benz de verdade" Ele confessou rindo, e eu ri junto e disse "Tudo bem, eu não sou a Janis Joplin de verdade".

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